como a inteligência artificial criada em Mato Grosso conquistou a Justiça brasileira

Quem já precisou encarar uma audiência judicial sabe o peso da ansiedade: o medo do desconhecido, os termos técnicos indecifráveis e a sensação de estar pisando em um ambiente distante.

É justamente para quebrar essa barreira — e fazer a fila dos processos andar mais rápido — que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) decidiu colocar a tecnologia para trabalhar a favor das pessoas.

O resultado dessa virada de chave veio em tom de reconhecimento nacional nesta quinta-feira (27), com a conquista de quatro premiações no Selo Judiciário Inovador, concedido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O grande troféu da noite ficou com a LexIA, uma plataforma de Inteligência Artificial generativa criada 100% em solo mato-grossense. Ela levou o 1º lugar do país na categoria de tecnologia com resultados comprovados.

Na prática, a ferramenta funciona como um assistente de bordo para juízes e assessores: lê processos, sugere minutas e cruza dados em segundos. Mas sem automação cega — a palavra final e a assinatura continuam sendo humanas. O impacto? Mais de 465 mil processos analisados e 7 mil pesquisas diárias em 129 unidades do estado.

Robôs ‘made in MT’ que viraram referência no país

Outro destaque que ultrapassou as fronteiras estaduais foi o Projeto Hannah, criado pela Vice-Presidência do TJMT. O sistema usa um modelo avançado de IA para ler recursos pesados, identificar decisões antigas e indicar o caminho correto para a tramitação. O sucesso foi tão grande que o próprio CNJ adotou a ideia para exportá-la: tribunais da Bahia, Minas Gerais, Maranhão e Pará já estão fazendo fila para aprender a usar a tecnologia mato-grossense.

Menos ‘juridiquês’, mais acolhimento na ponta

Além dos robôs de gabinete, o CNJ premiou projetos criados para facilitar a vida de quem precisa ir ao fórum:

  • Série Entenda a Sua Audiência: Uma sequência de vídeos curtos criados com apoio de IA que explicam, em linguagem simples e sem rodeios, o que acontece dentro de uma sala de julgamento. A ideia é tirar o medo do cidadão antes que ele sente na frente do juiz;

  • Oficinas de Escuta Cidadã: Em vez de planejar o futuro da Justiça entre quatro paredes, o tribunal foi para a rua ouvir moradores, lideranças e usuários sobre as dores e os gargalos do atendimento no estado.

A quadripla vitória mostra que a inovação no Judiciário de Mato Grosso deixou de ser uma promessa futurista para se transformar em algo bem prático: menos tempo de espera na fila da Justiça e um atendimento mais humano para quem bate à porta dos fóruns.

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