Vídeo mostra estudante de enfermagem descartando bebê viva em lixeira de condomínio em Várzea Grande

Um vídeo de câmera de segurança que mostra uma mulher caminhando de madrugada com uma sacola plástica ajudou a polícia a identificar a suspeita de descartar uma bebê prematura em uma lixeira de condomínio, em Cuiabá. Segundo a investigação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá, a mulher, de 25 anos, cursava enfermagem e teria conhecimento sobre gestação e sobre como pedir socorro.

A criança, que nasceu com vida após uma gestação de cerca de seis meses, foi encontrada dentro de uma caixa de papelão.

Segundo o delegado Rogério Gomes, responsável pela investigação, a mulher afirmou que não sabia que estava grávida. A versão, no entanto, diverge dos relatos de moradores e funcionários do condomínio, que disseram suspeitar da gestação.

“A criança nasceu com vida e ela, na condição de mãe, tinha o dever legal de guarda e vigilância. Não poderia simplesmente descartá-la por achar que estava morta. Ela cursa enfermagem e tinha conhecimento sobre como proceder: chamar o Samu, pedir socorro ou procurar os vizinhos. Por isso, será indiciada por homicídio”, afirmou o delegado durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (27).

A bebê foi encontrada na manhã do dia 23 de julho. De acordo com o delegado inicialmente a suspeita negou ser ela a responsável por descartado o bebê na lixeira, mas após ser confrontada com o vídeo de câmeras de segurança do residencial em que aparece caminhando de madrugada com uma sacola plástica horas antes de funcionários encontrarem a criança no lixo, ela admitiu o ato.

“Ela disse que o parto ocorreu na madrugada, enquanto o marido estava dormindo, foi um parto inesperado negou ingestão de substância abortiva, negou agressão e disse que descartou a criança sozinha. A perícia constatou que esse feto nasceu com vida. Não foi constatada asfixia ou agressões. Em relação a aborto, as investigações serão aprofundadas com exames complementares para verificar se houve ingestão de substâncias”, disse o delegado.

Conforme a polícia, a mulher não está presa pois está colaborando com as investigações e concordou a A mulher não foi presa porque, segundo o delegado, tem colaborado com as investigações. Ela concordou em passar por exames e forneceu voluntariamente material biológico para a realização das perícias. Até o momento, não há indícios da participação de outras pessoas no descarte da bebê.

“Ela alegou que nem ela nem o marido sabiam da gravidez, embora houvesse suspeitas, apesar dos sangramentos. Disse que o parto foi inesperado e que descartou a criança porque estava desesperada, não sabia o que fazer e tomou aquela atitude”, relatou o delegado.

A investigada também contou que o filho de 4 anos estava na residência no momento do parto. Segundo o depoimento, a criança a chamava porque queria comer e, por isso, ela teria agido “o mais rápido possível” para evitar que o menino ouvisse o que estava acontecendo.

Ainda de acordo com a mulher, o desespero fez com que ela não pedisse ajuda nem contasse o ocorrido ao marido ou a outros familiares.

O esposo também prestou depoimento e afirmou que somente descobriu o envolvimento da mulher depois de ser intimado a comparecer à delegacia.

O laudo de necropsia apontou que a bebê, do sexo feminino, nasceu com aproximadamente seis meses de gestação e pesava 750 gramas. A perícia também constatou que ela nasceu com vida. Após prestar depoimento e passar pelos exames periciais, a mulher foi encaminhada para atendimento médico.

“Os familiares também não sabiam que ela era a responsável pelo ato. Moradores e funcionários do condomínio a identificaram como uma das mulheres que aparentavam estar grávidas. Ela disse que não sabia da gestação, embora suspeitasse, e que não procurou atendimento pré-natal”, acrescentou o delegado.

Conforme a investigação, não havia histórico de violência familiar, e nem a mulher nem a bebê apresentavam sinais de agressão. Também não foram localizados boletins de ocorrência relacionados a episódios anteriores.

Exames complementares vão apurar se havia substâncias abortivas no organismo da mulher ou da bebê. A previsão é de que os resultados sejam concluídos em um prazo de um a três meses.

Segundo o delegado, a mulher deverá ser indiciada por homicídio porque a perícia confirmou que a bebê nasceu com vida. O enquadramento definitivo será apresentado após a conclusão do inquérito.

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