Júri de Paccola é remarcado após advogados deixarem defesa do ex-vereador acusado por morte de policial penal

A sessão do Tribunal do Júri que deve julgar o ex-vereador Marcos Paccola, acusado da morte do agente de segurança socioeducativo Alexandre Miyagawa, de 41 anos, foi remarcado após os advogados do réu deixarem a defesa. O julgamento que estava marcado para esta quinta-feira (27) foi reagendado para o dia 22 de outubro deste ano, às 9 horas no Fórum de Cuiabá.

Conforme decisão da juíza Mônica Catarina Perri desta terça-feira (25), a defesa do réu, representada pelos advogados Ricardo da Silva Monteiro e Bárbara Souza Silva Monteiro, renunciou ao mandato “por motivo de foro íntimo”, requerendo a intimação do acusado para constituição de novo patrono.

Tenente-coronel da Polícia Militar, Marcos Paccola, teve a data do julgamento alterada após advogados deixarem sua defesa. – Foto: Reprodução

Ainda conforme o documento, foi expedida intimação para que o acusado, no prazo de 10 dias, constituísse novo advogado de confiança, sob pena de nomeação da Defensoria Pública.

O ex-vereador, no entanto, declarou não aceitar a assistência da Defensoria Pública e disse que apresentaria novo advogado no prazo.

Apesar disso, até presente data, segundo a magistrada, não há advogado habilitado nos autos em substituição aos renunciantes.

“O prazo de 10 dias concedido ao acusado para a constituição de novo defensor, contado da intimação pessoal realizada em 18/08/2026, somente se exaure em 28/08/2026, data posterior à sessão de julgamento originalmente aprazada para 27/08/2026”, cita a juíza.

Diante disso, a magistrada redesignou a sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri para o dia 22 de outubro de 2026, às 9h. Também foi determinado que o ex-vereador seja intimado para buscar um advogado até lá, sob pena de ser nomeado um membro da Defensoria Pública para representa-lo.

Júri marcado após 4 anos de morte

Quatro anos depois da morte do agente de segurança socioeducativo Alexandre Miyagawa, de 41 anos, o acusado pelo crime, o ex-vereador e tenente-coronel da Polícia Militar, Marcos Eduardo Ticianel Paccola, teve o julgamento pelo Tribunal do Júri marcado. Ele é acusado do homicídio do agente na noite de 1º de julho de 2022, em frente a um imóvel na Rua Presidente Arthur Bernardes, no bairro Quilombo, em Cuiabá.

Segundo a denúncia do Ministério Público (MPMT), Alexandre estava com a companheira, Janaína Maria Santos Cícero de Sá Caldas, que teria entrado na rua em alta velocidade e na contramão, iniciado uma discussão com pessoas que estavam no local e incentivado o companheiro a sacar a arma que portava.

Alexandre Miyagawa
Alexandre Miyagawa, foi morto com 3 tiros, disparados pelo ex-vereador Marcos Paccola, em 2022. – Foto: Reprodução

O Ministério Público afirma, no entanto, que Alexandre não apontou a arma para ninguém nem agrediu qualquer pessoa. Ainda segundo a denúncia, Paccola parou o veículo ao perceber a confusão, foi informado de que havia um homem armado e se aproximou da vítima já com a arma em punho.

O órgão ministerial sustenta que o então vereador agiu por motivo torpe e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Alexandre caminhava na direção da companheira, quando foi atingido nas costas, sem perceber a aproximação do atirador e sem possibilidade de reação.

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Alexandre Miyagawa foi atingido enquanto caminhava em uma rua após uma discussão com esposa. – Foto: Reprodução

Laudo pericial aponta que Alexandre levou três tiros pelas costas. Conforme o documento divulgado em 15 de julho daquele ano, um dos tiros não provocou ferimentos graves. Os outros dois, porém, causaram lesões nos pulmões, diafragma, fígado, átrio e pericárdio, e levaram à perda de muito sangue.

Para o Ministério Público, a motivação do crime foi a intenção de projetar a imagem de alguém que combate supostos criminosos e protege mulheres, com expectativa de obter ganhos políticos.

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