Quem tem um familiar desaparecido e ainda não forneceu material genético poderá fazer a coleta de DNA a partir desta segunda-feira (24) em Mato Grosso. O procedimento é gratuito, simples e pode ser decisivo para cruzar informações e ajudar na identificação de pessoas que estão desaparecidas há meses ou até anos.
A ação faz parte da 4ª Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas, organizada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em Mato Grosso, os trabalhos são realizados pela Polícia Civil, por meio do Núcleo de Pessoas Desaparecidas da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
Entre os dias 24 e 28 de agosto, a coleta será intensificada em 17 pontos da Politec espalhados pelo estado. Apesar da mobilização desta semana, o material genético pode ser doado durante todo o ano.
Atualmente, o banco estadual de perfis genéticos possui 433 perfis de restos mortais ainda não identificados disponíveis para comparação com o DNA de possíveis familiares.
Na prática, quanto mais famílias fornecerem amostras, maiores são as possibilidades de encontrar uma compatibilidade e esclarecer casos de desaparecimento.
Quem deve fazer a coleta?
A recomendação é que, sempre que possível, o material seja fornecido por familiares de primeiro grau.
A preferência é pela seguinte ordem:
- pai ou mãe biológicos;
- filhos biológicos, acompanhados também do outro genitor;
- irmãos biológicos que tenham o mesmo pai e a mesma mãe.
Caso esses familiares não estejam disponíveis, outros parentes também poderão ser avaliados para a coleta.
Crianças também podem fornecer material genético, desde que estejam acompanhadas pelo responsável legal.
Quem já participou de uma coleta anteriormente não precisa repetir o procedimento.

O que levar?
Para fazer a coleta, o familiar deve procurar um dos postos e apresentar documento de identificação.
Também será preciso informar os dados do Boletim de Ocorrência do desaparecimento, como número do registro, estado em que o BO foi feito e delegacia responsável pelo caso.
Levar uma cópia do boletim é recomendado, mas não é obrigatório.
Caso a família ainda não tenha registrado o desaparecimento, será necessário procurar uma delegacia e fazer o boletim antes da coleta.
Desaparecimento pode ter ocorrido em qualquer lugar
A família não precisa procurar um posto no mesmo município ou estado onde a pessoa desapareceu.
A coleta pode ser feita em qualquer ponto disponível, independentemente do local do desaparecimento. Basta informar aos profissionais onde o caso foi registrado para que os dados sejam incluídos corretamente.
Também é possível utilizar o material para buscas relacionadas a pessoas que desapareceram em outros países, por meio da consulta a bancos internacionais de DNA.
Não há prazo para procurar ajuda
Mesmo que o desaparecimento tenha ocorrido há muitos anos, a família ainda pode fornecer o material genético.
Não existe prazo limite para a coleta de DNA.
Se uma comparação resultar na identificação da pessoa desaparecida, será produzido um laudo oficial, encaminhado à delegacia responsável pela investigação. A equipe policial ficará encarregada de entrar em contato diretamente com os familiares para comunicar o resultado e orientar sobre os próximos procedimentos.
A campanha busca justamente ampliar o banco de perfis genéticos e aumentar as chances de que famílias que convivem com a incerteza sobre o paradeiro de um parente possam finalmente receber uma resposta.