Bois selecionados para reprodução movimentam um mercado milionário no Brasil. Em um único fim de semana, leilões especializados em genética bovina podem negociar cerca de R$ 30 milhões em animais escolhidos para melhorar o desempenho de rebanhos inteiros.
E o preço de um único animal também chama atenção. A estimativa apresentada pelo setor é de que um touro desse tipo custe o equivalente a cerca de 55 arrobas de boi gordo. Com a arroba a R$ 329, a conta passa de R$ 18 mil, por animal.
Mas por que um boi pode custar tanto?
A resposta está, principalmente, na genética. Esses animais são usados como reprodutores e selecionados para transmitir aos descendentes características como maior ganho de peso, fertilidade, rendimento de carcaça e melhor aproveitamento da alimentação.
De 51 matrizes a 2 mil fêmeas
O produtor Guilherme Mesquita acompanhou de perto esse processo. O trabalho começou com a compra de 51 matrizes Puras de Origem (PO) e avançou com a participação em programas de melhoramento genético.
Hoje, a criação reúne cerca de 2 mil fêmeas e utiliza técnicas como transferência de embriões, fertilização in vitro e monta natural.
“Nós vimos onde podíamos melhorar e fomos fechando o ciclo. Analisando essas tendências, fomos melhorando, aparando as arestas”, explica Guilherme.
O investimento também apareceu no preço dos animais. Segundo o produtor, ao longo do trabalho de melhoramento, o valor das fêmeas chegou a quintuplicar, enquanto a média dos touros, que já era mais elevada, triplicou.
O que faz um touro valer mais?
Os chamados touros Puros de Origem, ou PO, possuem genealogia registrada e autenticada e passam por um processo rigoroso de seleção. No Brasil, grande parte desses animais é da raça Nelore.
Na prática, o pecuarista não olha apenas para o animal que está comprando, mas para o que ele poderá produzir nas gerações seguintes e também para a origem dele.
Um touro com bom desempenho pode gerar bezerros que ganham peso mais rapidamente e apresentam melhor rendimento. Isso pode reduzir o tempo entre a criação e a venda do gado e aumentar a produtividade da propriedade.
É por isso que características como peso no desmame, fertilidade e capacidade de adaptação são acompanhadas de perto durante a seleção.
O médico veterinário Andrey Zollman, que trabalha há 16 anos com produção de Nelore PO em Cáceres (MT), explica que o mercado se tornou cada vez mais competitivo. A busca é por animais que, além de apresentarem bom ganho de peso, consigam manter o desempenho em diferentes condições de criação.

Leilões transformaram genética em negócio milionário
A forma de vender esses animais também é diferente do mercado tradicional de gado.
Nos leilões de genética, os touros podem ser comercializados individualmente, acompanhados de informações sobre genealogia, avaliações e desempenho.
Com animais mais produtivos e uma procura crescente por melhoramento genético, esse nicho passou a movimentar cifras cada vez maiores.
Para o produtor, porém, a conta não termina nos quase R$ 20 mil pagos por um touro. A expectativa é que o investimento retorne ao longo dos anos, com animais mais pesados, maior eficiência na produção e descendentes que também tenham maior valor de mercado.
É assim que um único boi pode representar um investimento de quase R$ 20 mil e, ao mesmo tempo, fazer parte de um mercado capaz de movimentar R$ 30 milhões em apenas um fim de semana.
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