O agronegócio de Mato Grosso, conhecido mundialmente pela produção de soja e milho, assiste a uma mudança estratégica em seus campos nesta safra 2025/26. O feijão-caupi, tradicionalmente uma cultura secundária, ganha cada vez mais espaço no planejamento dos produtores mato-grossenses, com um desempenho considerado expressivo em produtividade e área plantada.
Dados do 11º levantamento da safra brasileira de grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), confirmam que o estado soube capitalizar sobre as adversidades climáticas e logísticas para alavancar a produção do grão. O fator chave para esse avanço foi o ajuste estratégico no calendário de plantio.
“O feijão-caupi se tornou uma alternativa interessante para o produtor mato-grossense, principalmente por possuir um ciclo produtivo mais curto se comparado a outras culturas usuais deste período, como milho e sorgo”, aponta o relatório da Conab.
Segundo o levantamento, o atraso no calendário de colheita das culturas de primeira safra reduziu a janela ideal para a semeadura de grãos de segundo ciclo. Diante desse estrangulamento de prazos, muitos produtores optaram pelo feijão-caupi para garantir a cobertura de solo e a rentabilidade, visto que o grão se adapta melhor a ciclos menores.
Além da agilidade no plantio, as condições climáticas foram fundamentais. Segundo o relatório, o estado contou com chuvas bem distribuídas em períodos críticos, incluindo frentes frias e precipitações extemporâneas entre maio e junho, que favoreceram o desenvolvimento da cultura.
Como resultado, o estado colheu uma safra com produtividade média superior à obtida na temporada 2024/25.
Resiliência no Campo
A cultura, que também é conhecida popularmente como feijão-de-corda, tem demonstrado robustez frente às variações climáticas. Mesmo com registros pontuais de restrição hídrica em certas regiões de Mato Grosso, o feijão-caupi demonstrou resiliência, mantendo resultados estáveis e atraentes para o mercado.
Com a colheita já praticamente concluída, o sucesso desta temporada reforça o papel do Mato Grosso na diversificação da pauta agrícola brasileira, consolidando culturas que, até então, figuravam como secundárias, mas que agora desempenham um papel vital na segurança financeira e produtiva dos produtores.
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