Um esquema que teria causado prejuízo superior a R$ 70 milhões a um produtor rural de Mato Grosso terminou com o indiciamento de quatro pessoas pela Polícia Civil. A investigação, conduzida pela Delegacia de Comodoro, faz parte da Operação Agro-Fantasma e concluiu que os suspeitos utilizavam empresas do agronegócio para transmitir credibilidade e aplicar fraudes na compra e revenda de grãos.
Ao final do inquérito, dois investigados foram indiciados pelos crimes de estelionato em continuidade delitiva, associação criminosa e fraude processual. Outros dois responderão por estelionato em continuidade delitiva e associação criminosa.
Segundo a Polícia Civil, o grupo teria estruturado um esquema para conquistar a confiança de produtores rurais por meio do pagamento regular das primeiras negociações. Depois de consolidar a relação comercial, os investigados convenciam a vítima a realizar, em seu próprio nome, compras de grãos de outros produtores, com pagamento a prazo.
Enquanto isso, os produtos eram revendidos rapidamente pelas empresas ligadas ao grupo, geralmente em operações à vista. Com o aumento do volume de negócios, os pagamentos deixaram de ser efetuados, fazendo com que produtores e instituições financeiras acumulassem prejuízos, enquanto as dívidas permaneciam registradas em nome da vítima.
Além das negociações com grãos, a investigação apontou que o produtor rural também sofreu prejuízos relacionados à venda de uma aeronave e à contratação de empréstimos bancários, elevando as perdas para mais de R$ 70 milhões.

Indícios reforçaram suspeitas
Durante as investigações, a Polícia Civil analisou documentos fiscais e registros de transporte de cargas apreendidos na operação. Os investigadores identificaram indícios de incompatibilidades logísticas, repetição incomum de pesos, emissão de documentos em intervalos incompatíveis com o tempo necessário para o transporte das cargas e diversas revendas com margens negativas.
Para os policiais, essas inconsistências reforçaram a hipótese de que as operações eram planejadas para criar uma aparência de legalidade e dificultar a identificação das fraudes.
As investigações também apontaram que os quatro suspeitos atuavam de forma organizada, com funções previamente definidas dentro do esquema. Ainda segundo o inquérito, cada integrante era responsável por etapas específicas, como negociação com fornecedores, compra e revenda de grãos, emissão de documentos fiscais e movimentação dos recursos obtidos nas vendas.
Veja vídeo da operação:
Auditoria
Com a conclusão do inquérito, o caso será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá se vai oferecer ou não denúncia à Justiça.
Paralelamente, as empresas envolvidas também serão alvo de auditoria da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MT). A análise deverá verificar possíveis irregularidades fiscais e eventuais crimes contra a ordem tributária estadual e federal, que poderão ser encaminhados às autoridades competentes.
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