Economizar na semente pode sair muito mais caro na colheita, alerta especialista

A busca por reduzir custos na hora de plantar pode acabar saindo mais caro do que muitos produtores imaginam. Em um cenário de margens apertadas e clima cada vez mais imprevisível, escolher sementes apenas pelo menor preço pode comprometer o potencial produtivo da lavoura. O alerta é do engenheiro agrônomo Jefferson Andrade, convidado do novo episódio do podcast Agro de Primeira MT.

Segundo o especialista, a semente deixou de ser apenas um insumo para se tornar um investimento estratégico. Isso porque o estabelecimento inicial da lavoura influencia diretamente o desempenho das plantas durante todo o ciclo produtivo.

“Se você sai com uma semente de qualidade, você sai com 100%. Se você sai com uma semente já mais fraca, você vai sair com 80%. Aquilo você não recupera mais”, afirmou Jefferson.

Veja o episódio completo:

Na avaliação dele, muitos produtores ainda concentram a decisão de compra apenas no preço, sem considerar que diferenças na qualidade fisiológica e no beneficiamento podem refletir em perdas significativas de produtividade.

“Às vezes uma economia pequena no plantio pode gerar uma diferença de produtividade muito grande”, destacou.

Para ilustrar esse impacto, o agrônomo contou o caso de um produtor que decidiu comparar sementes da mesma variedade, cultivadas lado a lado, mas fornecidas por empresas diferentes. O resultado chamou a atenção.

“A mesma variedade, a mesma genética, lado a lado… está produzindo cerca de 10% a mais. Foi realmente o estabelecimento da lavoura que fez muita diferença”, relatou.

Além do ganho em produtividade, Jefferson ressalta que uma semente de alta qualidade reduz riscos de replantio, evita perda de janela para a segunda safra e aumenta a segurança diante de condições climáticas adversas, fatores que podem definir o lucro ou o prejuízo da propriedade.

Inteligência artificial deve transformar a escolha das sementes

Outro tema abordado no podcast foi o avanço da inteligência artificial na produção de sementes. Segundo Jefferson, o setor gera um volume tão grande de informações que já se tornou impossível analisar tudo manualmente, fazendo com que a IA passe a desempenhar um papel importante no apoio às decisões.

“A inteligência artificial vai ajudar muito a fazer essa leitura dos dados. Ela não vai tomar a decisão, mas vai dar direcionamento para que a gente foque no que realmente importa”, afirmou.

Para o especialista, a tendência é que ferramentas de IA acelerem ainda mais a evolução da genética, da produção e da gestão das sementes, tornando o processo mais eficiente e permitindo que produtores façam escolhas cada vez mais assertivas para cada área da propriedade.

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