Em Mato Grosso, o avanço do período mais severo da estiagem veio acompanhado de um salto alarmante no número de queimadas.
Nos primeiros dez dias de agosto, os focos de calor mais que dobraram em relação ao mesmo período do ano passado: foram registrados 582 focos entre 1º e 10 de agosto, frente aos 278 contabilizados em 2025 — um aumento expressivo de 109,4%.
Com a combinação de baixos índices de umidade relativa do ar, temperaturas elevadas e vegetação seca, o estado assumiu a liderança nacional em ocorrências detectadas pelo Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), tanto no recorte quinzenal quanto no acumulado do ano.
Liderança no ranking nacional e picos de ocorrências
Mato Grosso encabeça a lista dos estados mais atingidos no país neste início de mês, superando Pará (558 focos), Maranhão (397), Tocantins (335) e Minas Gerais (317). Os picos de registros concentraram-se entre os dias 6 e 8 de agosto, que juntos somaram 266 focos.
No balanço consolidado de 1º de janeiro a 10 de agosto de 2026, Mato Grosso também figura na primeira posição do país, com 4.326 focos de calor, seguido por Tocantins (4.109) e Bahia (3.254).
Municípios mais atingidos e o mapa dos incêndios
O avanço do fogo afeta diretamente diferentes regiões e biomas do estado, colocando municípios mato-grossenses no topo das estatísticas nacionais:
-
Em agosto (1º a 10/08): Nova Santa Helena se destacou como a 3ª cidade do Brasil com mais focos no período (62 registros), seguida por Paranatinga (58), Nova Nazaré (57) e Colniza (44).
-
Acumulado do ano (2026): Paranatinga lidera o ranking estadual com 319 focos, seguida por Marcelândia (243), Tangará da Serra (199) e Nova Maringá (195).
Ação humana sob investigação em Rondonópolis
Paralelamente aos fatores climáticos, a ação humana suspeita agrava o cenário. Em Rondonópolis (212 km ao sul de Cuiabá), o Corpo de Bombeiros atua no combate a um incêndio iniciado no domingo (9) em uma área sob responsabilidade do Exército. Imagens de câmeras de segurança flagraram um indivíduo ateando fogo em vegetação próxima, e o caso passará por investigação policial.
As autoridades de segurança pública e ambientais reforçam o alerta: durante o período de defeso e seca extrema, o uso do fogo para limpeza de áreas é proibido, e queimadas provocadas intencionalmente configuram crime ambiental.
Google Notícias
Siga o CenárioMT
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.