Baixa ingestão de vegetais entre crianças acende alerta global; Lucas do Rio Verde aposta em educação nutricional e cardápios balanceados na rede municipal

Um estudo internacional realizado por pesquisadores da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, analisou os hábitos alimentares de jovens em 185 países e trouxe à tona um dado preocupante: a ingestão de vegetais, frutas, verduras, feijões e nozes permanece abaixo do ideal entre crianças e adolescentes em quase todo o mundo.

A pesquisa reforça que a carência desses nutrientes essenciais compromete o desenvolvimento físico e cognitivo na infância, afetando a imunidade, o aprendizado e o metabolismo.

O levantamento revela que, embora os pais consigam introduzir itens saudáveis no início da vida dos filhos, manter esse padrão se torna um desafio crescente à medida que as crianças crescem e ganham autonomia, ficando mais expostas à publicidade de alimentos ultraprocessados.

Para debater esse cenário e mostrar como o município de Lucas do Rio Verde enfrenta a questão localmente, entrevistamos Vania Satie Obana Haraki, nutricionista e Responsável Técnica pela Alimentação Escolar da Secretaria de Educação de Lucas do Rio Verde.

O impacto da deficiência nutricional no desenvolvimento infantil

Confirmando os alertas do estudo científico, Vania destaca que a má alimentação traz prejuízos diretos e duradouros para a vida dos estudantes.

“A deficiência alimentar compromete o desenvolvimento infantil, resultando em danos físicos e cognitivos. Interferem no crescimento, provocando baixa estatura e baixo peso, além de prejudicar a imunidade — o que leva a maior risco de infecções —, e gerar prejuízos na concentração e no aprendizado, interferindo diretamente no rendimento escolar, sem contar outras doenças como anemia e hipovitaminoses.”

A nutricionista chama a atenção para o crescimento contínuo nos índices de excesso de peso infantil detectado nas avaliações locais. “Anualmente, percebemos que o índice de sobrepeso e obesidade nessa faixa etária tem aumentado, e a obesidade é uma porta de entrada para outras doenças crônicas. Por isso, precisamos trabalhar fortemente com a nutrição preventiva”, ressalta.

O trabalho da rede municipal: planejamento e estímulo diário

Na rede pública de ensino de Lucas do Rio Verde, a garantia do aporte nutricional adequado segue as diretrizes do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e envolve um planejamento criterioso.

Cardápios transparentes e balanceados

Os cardápios da rede municipal são formulados semestralmente, respeitando as necessidades nutricionais de cada modalidade e faixa etária — desde as creches em tempo integral até o ensino regular.

Para assegurar a transparência e permitir o acompanhamento das famílias, a programação alimentar das 24 unidades escolares do município fica disponível para consulta pública no site da Prefeitura Municipal (no ícone Educação > Cardápios Escolares).

Educação nutricional na prática

Vania explica que o incentivo para que os alunos aceitem legumes, verduras e frutas vai além do momento da refeição e engloba atividades lúdicas e pedagógicas:

Hortas escolares e cultivo de vegetais;

Visitas guiadas a feiras e supermercados;

Práticas culinárias pedagógicas e oficinas de receitas;

Contação de histórias, musicalização e vídeos direcionados ao tema;

Modelagem e estímulo entre pares: o ato de ver os colegas consumindo alimentos saudáveis encoraja as crianças a experimentarem novos sabores.

Alimentação e sono: a importância da rotina estabelecida

Um ponto fundamental destacado pela responsável técnica é que o sucesso da alimentação saudável está diretamente ligado ao estabelecimento de uma rotina diária em casa, que abrange tanto os horários das refeições quanto os do sono.

“Estabelecer uma rotina alimentar evita picos de fome, previne o consumo excessivo de calorias e garante energia constante. Do mesmo modo, ter um horário fixo para a criança dormir é vital para o crescimento físico e o equilíbrio emocional. Crianças que dormem muito tarde e acordam cedo não conseguem ter uma alimentação adequada, vão para a escola cansadas e perdem o rendimento. A rotina organiza o relógio biológico e prepara o organismo.”

Parceria entre família e escola

Para Vania Haraki, a mudança de hábitos exige uma via de mão dupla. A escola cumpre seu papel educativo e nutricional, mas o exemplo precisa vir de casa.

“A parceria entre pais e escola é crucial. Se os pais não têm o hábito de consumir legumes, verduras e frutas em casa, a criança provavelmente não terá esse estímulo. Os pais podem envolver os filhos no preparo de uma salada de legumes ou de frutas, criando uma relação positiva com a comida em natura e evitando produtos ultraprocessados com alto teor de sódio e gordura.”

Ao final, a nutricionista fez questão de reconhecer o trabalho fundamental da equipe que opera nos bastidores da alimentação escolar Luverdense: “Deixo meu agradecimento especial às merendeiras, auxiliares de cozinha e padeiros da Padaria Escolar Municipal. Não adiantaria nada elaborarmos um cardápio equilibrado se não houvesse o zelo, o cuidado e o preparo correto feito por toda essa equipe dedicada ao melhor atendimento do nosso aluno.”

Google Notícias

Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia