Um incêndio florestal que começou na quinta-feira (16) na região de Forte Coimbra, no Pantanal de Corumbá, avançou para o território boliviano e mobiliza autoridades ambientais na área de tríplice fronteira entre Brasil, Bolívia e Paraguai.
Imagens de satélite indicam que as chamas tiveram início a cerca de 6 quilômetros da fronteira com a Bolívia e, impulsionadas por ventos do norte que ultrapassaram 40 km/h, cruzaram a linha internacional, atingindo a região do Parque Nacional e Área Natural de Manejo Integrado (PN ANMI) Otuquis, uma das principais áreas protegidas do Pantanal boliviano.
Um relatório preliminar divulgado pelo Serviço Nacional de Áreas Protegidas da Bolívia (Sernap) confirma a existência de focos ativos de incêndio dentro da unidade de conservação, no município de Puerto Suárez, próximo à comunidade Triángulo Foianini.
De acordo com o documento, o fogo foi identificado às 12h54 de quinta-feira (16) por meio de monitoramento de satélite, sistemas da NASA e equipes de guarda-parques.
Segundo informações do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), as fortes rajadas de vento registradas na região foram determinantes para que o incêndio ultrapassasse a fronteira entre Brasil e Bolívia.
Até o momento, não há imagens registradas diretamente na área do incêndio. O monitoramento tem sido feito por imagens de satélite e por vídeos gravados por moradores do lado boliviano, que mostram uma extensa coluna de fumaça no horizonte.
Apesar da preocupação, especialistas avaliam que o cenário pode apresentar melhora a partir de domingo, quando há previsão de redução na intensidade dos ventos.
Outro fator considerado favorável é que a biomassa existente nessa região do Pantanal ainda apresenta níveis relativamente elevados de umidade, o que pode dificultar a propagação do fogo e auxiliar no trabalho das equipes de combate.
Monitoramento da área protegida
De acordo com o relatório, a área afetada ainda está sendo avaliada, mas as chamas já atingiram pastagens e vegetação do Chaco-Pantanal, com risco à fauna silvestre.
O acesso ao foco de incêndio é considerado difícil, e equipes do Sernap já foram mobilizadas para o combate inicial. O órgão também informou que solicitou reforço de efetivo e apoio logístico para ampliar a resposta à ocorrência.
Além dos guarda-parques, a Armada Boliviana acompanha a situação na região de fronteira.
As autoridades bolivianas informaram que o incêndio permanece sob monitoramento constante por equipes em solo e por sistemas de detecção de focos de calor.
Até a divulgação do relatório preliminar, não havia estimativa da área atingida nem informações sobre danos à fauna ou estruturas na região.