Uma pesquisa inédita do Instituto Sou da Paz trouxe um raio-X sobre a impunidade no Brasil e colocou a polícia de Mato Grosso em posição de destaque.
Entre as mortes violentas registradas no estado de 2020 a 2023, as investigações conseguiram apontar o culpado e enviar a denúncia para o Tribunal em 57% dos casos.
O resultado deixa o estado bem à frente da média do país, onde o cenário é inverso: no Brasil, a regra é a impunidade, já que 6 em cada 10 homicídios nunca são solucionados.
O abismo entre os estados
O estudo revela que o sucesso em prender um assassino depende muito de onde o crime aconteceu. Goiás lidera o ranking isolado, limpando 86% das gavetas de inquéritos, seguido de perto pelo Distrito Federal (81%) e Minas Gerais (75%).
Na outra ponta da tabela, o Rio Grande do Norte vive uma crise de eficiência, desvendando míseros 9% dos assassinatos. A Bahia também amarga a lanterna, com 14% de solução.
O peso da desigualdade e o “fator medo”
A eficiência policial não depende apenas de viaturas e armas; ela está diretamente amarrada ao bolso e ao IDH de cada região. Cidades com melhor escolaridade e menos pobreza dão mais estrutura para as polícias trabalharem.
Já nas periferias tomadas pela exclusão e pelo desemprego, os investigadores batem de frente com a lei do silêncio.
“Em áreas dominadas pelo crime e pela vulnerabilidade social, as pessoas não falam. Conseguir testemunhas ou provas físicas se torna um desafio quase impossível porque a comunidade é encurralada pelo medo de morrer por colaborar”, revela o relatório.
Balística vs. Vínculo Familiar
O método utilizado no crime também dita a velocidade do trabalho dos policiais:
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O rastro das armas de fogo: Mortes por tiros são o maior pesadelo dos peritos. Ao contrário de um crime com faca, os disparos deixam poucos vestígios materiais no local. Para romper essa barreira, o país aposta no Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab), cruzando o DNA de armas apreendidas com mortes antigas.
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A resposta nos feminicídios: Na contramão, quando a vítima é uma mulher morta por questão de gênero, o índice de solução dispara. O motivo é prático: o principal suspeito quase sempre é o marido, namorado ou ex-companheiro, encurtando o caminho da investigação.
O modelo que funciona e a cobrança federal
Para tentar mudar o retrato da impunidade, especialistas sugerem copiar modelos vizinhos. Em Rondônia, que beira os 70% de eficiência, a receita é a fidelidade: o mesmo grupo de policiais que pisa na cena do crime na noite do ocorrido é o que digita o relatório final que vai para o juiz.
O Ministério da Justiça declarou que a falta de solução para mortes violentas é hoje o calcanhar de Aquiles da segurança nacional. Como reação, o governo federal começou a desenhar uma métrica padrão para vigiar o rendimento das Polícias Civis de todos os governadores.
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