Em último adeus a Alcides Bernal, amigos e políticos exaltam legado de ex-prefeito

O corpo do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, foi enterrado na tarde desta segunda-feira (13), em cerimônia que reuniu familiares, amigos, eleitores e autoridades. Primeiro prefeito cassado da história da capital, Bernal deixou uma trajetória política marcada por ascensão, disputas judiciais, retorno ao cargo e, nos últimos meses pela prisão, enquanto aguardava julgamento por um processo de homicídio.

Velório e enterro de Alcides Bernal foram realizados em Campo Grande, nesta segunda-feira (13). (Foto: Rafaela Moreira)
  1. Do fenômeno político ao crime de homicídio: relembre a trajetória de Alcides Bernal

Márcia Scherer trabalhou com o político por mais de dez anos, e foi prestar a última homenagem. A publicitária disse que Bernal era gentil, e que conversava bastante.

“Ele era muito educado, ele era muito gentil. A gente conversava bastante. Haviam as contendas políticas, mas assim, sempre dentro de uma civilidade, sempre dentro de um respeito. E o Bernal era uma pessoa muito respeitosa”.

Márcia Scherer, publicitária

Entre as autoridades políticas, o vereador Marquinhos Trad (PV) relembrou o período em que trabalharam juntos.

“Eu e o Bernal tínhamos muitas coisas em comum, mas também tínhamos muitas diferenças. Em comum era a nossa defesa convicta, firme, forte, contundente, que até alguns chamavam a gente de truculento e gênio, indomável, de defesa aos mais vulneráveis em busca de uma justiça social entre aqueles que não têm e aqueles que passam por momentos desconfortáveis.
E as diferenças, eu tinha com ele várias divergências filosóficas, como também visões administrativas opostas. Isso faz parte do regime democrático. Todavia, sempre nos respeitamos”.

Marquinhos Trad (PV), vereador de Campo Grande

Vereador Marquinhos Trad (PV) foi um dos políticos presentes na despedida de Alcides Bernal. (Foto: Rafaela Moreira)
Vereador Marquinhos Trad (PV) foi um dos políticos presentes na despedida de Alcides Bernal. (Foto: Rafaela Moreira)

Vereador por dois mandatos, Alcides Bernal foi deputado estadual, e eleito prefeito de Campo Grande em 2012. Em 2014, teve o mandato cassado pela Câmara Municipal, retornando ao cargo no ano seguinte por decisão judicial, permanecendo na prefeitura até o fim do mandato, em 2016.

Bernal estava preso no presídio militar de Campo Grande desde o dia 24 de março, acusado de matar o servidor público Roberto Carlos Mazzini durante uma disputa pela posse de um imóvel em uma área nobre da capital. Conforme as investigações, o servidor havia arrematado a casa em um leilão, após o imóvel ter pertencido ao ex-prefeito.

O ex-prefeito atirou duas vezes contra o servidor e fugiu sem prestar socorro. Desde o fim de junho, Bernal enfrentava problemas de saúde.

Segundo a defesa do político, o Poder Judiciário foi alertado de que Bernal era um paciente cardíaco de alto risco. Os advogados também sustentam que havia manifestações apontando que o presídio não tinha estrutura adequada para o tratamento do quadro clínico dele.

“Na semana que antecedeu infelizmente o óbito do ex-prefeito Alcides Bernal foi requerido via Judiciário, unicamente o pedido de prisão domiciliar com atestado. Do médico, de uma médica que atestava e informava que no pós-operatório ele deveria ocorrer na residência de Alcides Bernal. Infelizmente ele foi devolvido ao presídio e como é sabido, os presídios do nosso país não têm condições de abrigar situações como esta, passou mal, voltou ao hospital e infelizmente veio a óbito nessa madrugada de domingo para segunda-feira”.

Ricardo Machado, advogado de defesa

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