Mato Grosso transformou suas ruas e rodovias em um cenário de guerra particular. Enquanto o Brasil ensaia uma freada na violência viária, o estado pisou no acelerador da tragédia: 1.045 pessoas perderam a vida em acidentes automobilísticos por aqui ao longo de 2025.
O dado, assustador por si só, empurrou o território mato-grossense para o indigesto posto de segunda maior taxa de mortalidade no trânsito do país, com 26,84 vítimas a cada 100 mil habitantes.
Para se ter uma ideia da gravidade, o índice de Mato Grosso é mais que o dobro da média nacional (11,73). No mapa da letalidade, o estado só perde para o Tocantins, que lidera o ranking com uma taxa de 38,38 mortes por 100 mil moradores.
Os números são do Mapa da Segurança Pública 2026, recém-divulgado pelo Ministério da Justiça com base nos dados do sistema Sinesp.
O isolamento de Mato Grosso no Centro-Oeste
Aumentar o número de mortes em 4,4% em apenas um ano — saltando de 1.001 em 2024 para 1.045 em 2025 — coloca Mato Grosso em um isolamento incômodo. O estado caminha na contramão da tendência nacional e, principalmente, dos seus próprios vizinhos de fronteira.
Enquanto a Região Centro-Oeste como um todo registrou uma queda de 7,21% nos óbitos, Mato Grosso sabotou a estatística regional. Veja o abismo que separa as gestões viárias no bloco:
- Mato Grosso do Sul: Conseguiu uma redução histórica de 40,06% nas mortes (caindo de 347 para 208).
- Goiás: Viu os óbitos despencarem 13,15% (de 905 para 786).
- Distrito Federal: Teve alta de 14,05% (de 242 para 276), mas em números absolutos nem se compara ao volume de cruzes na beira das estradas mato-grossenses.
🗺️ Os piores cenários do Brasil
Atrás do topo ocupado por Tocantins e Mato Grosso, a lista das estradas mais perigosas para o cidadão segue com o Espírito Santo (24,28 mortes por 100 mil habitantes), seguido pela Paraíba (20,84) e por Rondônia (20,83).
O recado do Ministério da Justiça é claro. Embora o Brasil tenha reduzido sutilmente as mortes na comparação anual (uma queda de 4,47%, fechando 2025 com 25.030 óbitos), o acumulado desde 2020 mostra um crescimento de 10,4% na barbárie do trânsito nacional. Em Mato Grosso, a combinação de alta velocidade, estradas de escoamento pesado e imprudência continua cobrando o preço mais alto possível: quase três vidas ceifadas por dia.
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