O júri popular do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado do feminicídio da ex-companheira Thays Machado e do assassinato do namorado dela, Willian César Moreno, foi adiado. O julgamento que estava previsto para esta terça-feira (7) foi remarcado para o dia 21 deste mês, no Fórum de Cuiabá.
A informação foi confirmada ao Primeira Página pelo perito Thyago Machado, irmão da vítima Thays, no final da tarde desta segunda-feira (6) após intimação judicial. Ele estava entre as testemunhas que seriam ouvidas no júri e foi avisado sobre o adiamento.
O crime ocorreu em 18 de janeiro de 2023 e completou três anos em 2026.
Julgamento será aberto ao público
Apesar do adiamento, foi determinado que o júri ocorra de forma aberta à sociedade, reformando decisão anterior que limitava que fosse acompanhado apenas por pessoas diretamente ligadas ao processo.
“Não haverá acesso da imprensa ao plenário. As informações oficiais serão fornecidas pela assessoria do gabinete da magistrada e repassadas aos jornalistas pela assessoria de imprensa do TJMT. Para evitar transtornos e manter a rotina do Fórum, está autorizada apenas a captação de imagens da fachada externa do prédio”, dizia trecho de nota oficial divulgada pelo TJMT no dia 1º deste mês.
Nesta segunda-feira (6) a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, acolheu pedido da 2ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá e reconheceu a regra geral de publicidade da sessão plenária, autorizando a presença do público no ato.
A magistrada entendeu que não há, neste momento, risco concreto à intimidade das vítimas ou de terceiros que justifique a manutenção do segredo de Justiça. Além disso, destacou que a publicidade dos atos processuais constitui regra constitucional e que o próprio Ministério Público, após diálogo com os familiares das vítimas, manifestou-se favorável à abertura da sessão.
Cobertura da mídia no júri
Apesar do levantamento do sigilo, a decisão estabelece restrições para a cobertura do julgamento. A cobertura televisiva da sessão ficará limitada à assessoria de imprensa oficial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, sendo vedado o acesso ao plenário de equipes de emissoras e veículos de comunicação.
Também permanece proibida a captação e divulgação de imagens que permitam a identificação do réu e dos jurados. O acesso do público em geral, contudo, está autorizado.
Além dos sete jurados devem participar os advogados de defesa de Carlos Alberto, os promotores do Ministério Público (MPMT) e as testemunhas. Além de Thyago Machado, irmão da vítima Thays, serão ouvidos como testemunhas dois delegados que participaram das investigações do crime e uma escrivã.

Crime completa três anos
Em maio deste ano, a defesa de Carlos Alberto esgotou recursos e a Justiça agendou o júri popular. Um dos últimos recursos, foi o pedido da defesa para transferir o julgamento para fora da capital. No entanto, foi negado pelas Câmaras Criminais Reunidas, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
A defesa alegava que a repercussão do caso poderia influenciar a decisão dos jurados na capital. Os advogados chegaram a sugerir que o júri fosse realizado em outro estado ou em Rosário Oeste (MT).
Também foram citados fatores como a exposição política da família do réu, que é filho do ex-governador Carlos Bezerra, além de supostas ameaças e questões de segurança.
O Ministério Público se posicionou contra a mudança e apontou ausência de elementos concretos que justificassem a transferência do júri ou dúvidas sobre a imparcialidade dos jurados.
Duplo assassinato à luz do dia
Thays Machado e Willian Moreno foram mortos a tiros no dia 18 de janeiro de 2023, na calçada em frente ao edifício onde ela morava, no bairro Alvorada, em Cuiabá. Carlos Alberto passou de carro na rua e atirou contra o casal com uma pistola. Os dois morreram no local.
De acordo com as investigações, o réu não aceitava o fim do relacionamento. Thays já havia registrado boletins de ocorrência por ameaças e perseguição.
Imagens de câmeras de segurança registraram o veículo do acusado nas proximidades no momento do crime. Após os disparos, ele fugiu e foi preso horas depois em uma fazenda da família, em Campo Verde.

A denúncia do MPMT foi aceita em fevereiro de 2023, com acusações de homicídio qualificado, feminicídio no caso de Thays, motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas e perigo comum.
O acusado chegou a cumprir prisão domiciliar por questões de saúde, mas a medida foi revogada após descumprimento das regras, identificado por monitoramento eletrônico. Desde então, está preso no Centro de Custódia Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
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