Brasil vai aos EUA barrar tarifa de 25% imposta por Trump

Representantes da indústria e do agronegócio brasileiros participam nesta segunda-feira (6) de audiências públicas nos Estados Unidos para tentar barrar a tarifa adicional de 25% proposta pelo governo de Donald Trump sobre exportações do Brasil.

Brasil tenta evitar tarifa que afeta agro, siderurgia e indústria (Foto: Reprodução)

As discussões fazem parte da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), e a decisão final deve sair até 15 de julho.

Na avaliação do setor produtivo brasileiro a medida não prejudicaria apenas os produtos brasileiros, mas também elevaria custos para empresas e consumidores americanos.

Participam das audiências entidades como:

  • Confederação Nacional da Indústria (CNI);
  • Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp);
  • Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq);
  • Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA);
  • Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer).

Além de representantes dos setores de café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual. 

Tarifa também afetará EUA

A indústria brasileira defende que a tarifa não tem justificativa técnica nem econômica e pode prejudicar empresas dos dois países.

Segundo a CNI, se a medida for aprovada:

  • 31,6% das exportações brasileiras para os EUA poderão enfrentar tarifa total de 37,5%;
  • 35,2% da pauta exportadora brasileira para o mercado americano será atingida;
  • 54,1% das exportações brasileiras ficarão sujeitas a algum tipo de tarifa adicional, considerando taxas já existentes.

Além disso, o Brasil rebate críticas dos Estados Unidos sobre propriedade intelectual, tarifas de importação, desmatamento e acordos comerciais, argumentando que suas práticas seguem as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Brasil argumenta que sobretaxa ameaça cadeias produtivas integradas. (Foto: CNI)
Brasil argumenta que sobretaxa ameaça cadeias produtivas integradas. (Foto: CNI)

Setor de máquinas pede exclusão da tarifa

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) pede a exclusão do setor da eventual sobretaxa de 25%, e defende que o Brasil e os Estados Unidos mantêm uma relação baseada em cadeias produtivas integradas, e não em concorrência direta.

Os EUA são o principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos e concentram cerca de 25% das vendas externas do segmento.

Setores alertam que taxa pode elevar custos e preços nos EUA. (Foto: Reprodução)
Setores alertam que taxa pode elevar custos e preços nos EUA. (Foto: Reprodução)

Segundo a Abimaq, 82% das exportações de máquinas para os Estados Unidos ocorrem entre empresas do mesmo grupo econômico, como matrizes americanas e filiais brasileiras. Sendo assim, uma nova tarifa aumentaria custos da própria indústria americana e poderia afetar investimentos em setores como construção, logística, mineração, energia e transporte.

A entidade também destaca que, além da tarifa global de 10% já em vigor, parte dos produtos do setor está sujeita às tarifas da Seção 232, aplicadas ao aço e ao alumínio.

Siderurgia também pede exclusão

O Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer) pede a exclusão do ferro-gusa da nova tarifa. A matéria-prima do aço é utilizada na fabricação de aço e peças de ferro fundido e abastece siderúrgicas e fundições americanas.

setor de ferro-gusa destaca seu papel estratégico para siderúrgicas americanas. (Foto: Reprodução)
setor de ferro-gusa destaca seu papel estratégico para siderúrgicas americanas. (Foto: Reprodução)

A entidade argumenta que o produto não tem relação com os temas investigados pelo USTR e é de difícil substituição no mercado americano. O Sindifer ressalta ainda que cerca de 83% das exportações brasileiras de ferro-gusa têm os Estados Unidos como destino.

Outro argumento é o caráter sustentável da produção nacional, que utiliza carvão vegetal proveniente de florestas plantadas, reduzindo as emissões de carbono.

Agronegócio rebate taxação

No agronegócio, os setores de mel, café solúvel e pescados estão entre os principais participantes das audiências. A estratégia é demonstrar que a nova tarifa poderá aumentar os preços para os consumidores americanos, pressionar a inflação e afetar cadeias produtivas dos próprios Estados Unidos.

Participam da defesa do setor:

  • CNA;
  • Sociedade Rural Brasileira;
  • União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica);
  • Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz);
  • Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé);
  • Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics);
  • União Nacional do Etanol de Milho (Unem);
  • Associação Brasileira dos Exportadores de Mel.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirma que as tarifas prejudicam uma relação comercial complementar entre os dois países, e que os acordos comerciais do Brasil com países como México e Índia seguem as regras da OMC e não causam prejuízos aos EUA.

agronegocio em ms
Exportadores brasileiros defendem relação comercial estratégica com os EUA. (Semadesc/Divulgação)

A confederação ainda contesta a ligação entre o avanço da agropecuária e o desmatamento ilegal. Segundo a entidade, o crescimento da produção ocorreu principalmente por ganhos de produtividade e inovação tecnológica.

Como alternativa às tarifas, a CNA propõe ampliar a cooperação entre Brasil e Estados Unidos em áreas como agricultura sustentável, biocombustíveis e facilitação do comércio.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia