A líder conservadora Keiko Fujimori foi oficialmente confirmada nesta sexta-feira (3) como presidente eleita do Peru. A proclamação foi feita pelo Jurado Nacional de Eleições (JNE), órgão máximo da Justiça Eleitoral peruana, encerrando semanas de apuração, recursos e contestações após uma das eleições mais acirradas da história recente do país.
Keiko venceu o segundo turno com 9.223.396 votos (50,135%), contra 9.173.755 votos (49,865%) do candidato de esquerda Roberto Sánchez. A diferença entre os dois foi de apenas 49.641 votos.
A votação foi realizada em 7 de junho, mas o resultado demorou a ser oficializado devido à análise de recursos apresentados pela oposição. Durante a cerimônia de proclamação, o JNE rejeitou um pedido do partido de Sánchez para invalidar os votos dos peruanos residentes no exterior.
Mesmo após a decisão, Roberto Sánchez afirmou que não reconhece o resultado da eleição. O candidato disse que pretende recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e manterá a contestação ao processo eleitoral.
No último dia 24 de junho, quando a apuração já apontava uma vantagem considerada irreversível, Keiko fez um pronunciamento à imprensa e prometeu trabalhar pela união do país.
“Estamos cientes de que o Peru está dividido, praticamente partido ao meio”, declarou.
Desafio de governar um país em crise
Keiko Fujimori assumirá a Presidência em meio a um cenário de forte instabilidade política, aumento da criminalidade e desafios econômicos e sociais.
Ela substituirá José María Balcázar Zelada, presidente interino que chegou ao cargo há apenas quatro meses após a destituição de José Jeri pelo Congresso.
Antes dele, o Peru também foi governado interinamente por Dina Boluarte, que assumiu após a prisão do ex-presidente Pedro Castillo, destituído depois de tentar dissolver o Congresso e decretar estado de exceção para impedir um processo de impeachment.
Nos últimos oito anos, o Peru teve oito presidentes, refletindo uma das maiores crises políticas de sua história recente.
Quem é Keiko Fujimori
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko disputou diversas eleições presidenciais nas últimas décadas e agora conquistou sua primeira vitória para o cargo.
Durante a campanha, prometeu fortalecer o combate à criminalidade, estimular a economia e buscar diálogo para reduzir a polarização política. Apesar da vitória, ela deverá enfrentar um Congresso dividido entre partidos de direita e esquerda, o que pode dificultar a aprovação de projetos do novo governo.
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