O júri popular do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra acusado pelo feminicídio da ex-companheira Thays Machado e pelo assassinato do então namorado dela, Willian César Moreno, não poderá ser acompanhado pela imprensa. A medida atende pedido da defesa já que o processo tramita em segredo de justiça.
O julgamento foi agendado para o dia 7 de julho deste ano, a partir das 9h, no Fórum de Cuiabá. O crime ocorreu em em 18 de janeiro de 2023 e completou três anos.
De acordo com as informações divulgadas pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou que apenas pessoas diretamente ligadas ao processo acompanhem o julgamento do réu.
“Não haverá acesso da imprensa ao plenário. As informações oficiais serão fornecidas pela assessoria do gabinete da magistrada e repassadas aos jornalistas pela assessoria de imprensa do TJMT. Para evitar transtornos e manter a rotina do Fórum, está autorizada apenas a captação de imagens da fachada externa do prédio”, diz trecho da nota oficial.
Júri é agendado após 3 anos
Em abril deste ano, o Tribunal de Justiça de Mato grosso (TJMT) negou o pedido da defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra para transferir o julgamento para fora da capital. O recurso foi julgado pelas Câmaras Criminais Reunidas do TJMT, sob relatoria do desembargador Paulo Sérgio Carreira. A Justiça considerou o pedido improcedente.
A defesa solicitava o chamado “desaforamento”, alegando que a forte repercussão do caso poderia comprometer a imparcialidade dos jurados em Cuiabá. Também foram citados fatores como a exposição política da família do réu, que é filho do ex-governador Carlos Bezerra, além de supostas ameaças e questões de segurança.

Os advogados chegaram a sugerir que o julgamento ocorresse em outra cidade ou até em outro estado, mencionando municípios como Rosário Oeste (MT). Outro argumento foi o impacto de casos recentes de feminicídio na capital, que, segundo a defesa, contribuiriam para um ambiente de “linchamento social”.
O Ministério Público se posicionou contra a mudança. O procurador João Augusto Veras Gadelha apontou ausência de elementos concretos que justificassem a transferência do júri ou colocassem em dúvida a imparcialidade dos jurados.
O crime
Thays Machado e Willian Moreno foram mortos a tiros no dia 18 de janeiro de 2023, na calçada em frente ao edifício onde ela morava, no bairro Alvorada, em Cuiabá. Ambos morreram no local.
De acordo com as investigações, o réu não aceitava o fim do relacionamento. Thays já havia registrado boletins de ocorrência por ameaças e perseguição.

Imagens de câmeras de segurança registraram o veículo do acusado nas proximidades no momento do crime. Após os disparos, ele fugiu e foi preso horas depois em uma fazenda da família, em Campo Verde.
A denúncia foi aceita em fevereiro de 2023, e ele responde por homicídio qualificado, por motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas e perigo comum, além da qualificadora de feminicídio no caso de Thays.
O acusado chegou a cumprir prisão domiciliar por questões de saúde, mas a medida foi revogada após descumprimento das regras, identificado por monitoramento eletrônico. Desde então, está preso no Centro de Custódia Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
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