O mercado de ovo caipira tem ganhado cada vez mais espaço no Brasil e se consolidado como uma alternativa rentável para pequenos produtores rurais. O tema foi destaque no podcast Agro de Primeira, apresentado por Edevaldo Nascimento e Tati Scaff, que recebeu a zootecnista e técnica de campo da ATeG Prepara, do Senar/MS, Gislaine da Cunha, para um bate-papo sobre produção, mercado e formalização.
Durante o episódio, a especialista explicou que o crescimento da demanda está ligado à mudança no comportamento do consumidor, que busca produtos associados ao bem-estar animal e à produção mais sustentável. Apesar da percepção comum, ela destaca que o diferencial do ovo caipira não está na composição nutricional, mas no sistema de criação. (assista ao episódio completo no YouTube acima ou clique no link abaixo para ver ou ouvir no Spotify)
Sistema de criação é o principal diferencial
Um dos pontos centrais da conversa foi a explicação sobre o que realmente caracteriza o ovo caipira. Segundo a entrevistada, o sistema de produção com aves criadas soltas e com acesso ao pastejo, é o principal fator de diferenciação.
Nesse modelo, as galinhas conseguem expressar comportamentos naturais e têm uma alimentação mais variada, o que reflete na coloração da gema, geralmente mais intensa. No entanto, Gislaine fez questão de desmistificar a ideia de que isso significa maior valor nutricional.
“Não existe diferença nutricional entre os ovos das galinhas comerciais e os ovos dessas galinhas que são criadas em sistema livre pastejo”, explicou.
Mesmo assim, fatores como bem-estar animal, apelo sustentável e conexão com o campo têm impulsionado a procura. O resultado é uma presença cada vez maior desse tipo de produto nas prateleiras dos mercados, com valor agregado superior ao ovo convencional.

Cenário para o ovo caipira
Apesar do avanço da demanda, a formalização ainda é um dos principais obstáculos para novos produtores. O processo exige adequações estruturais, cumprimento de regras sanitárias e emissão de selos de inspeção, o que pode afastar quem está começando.
Ainda assim, a especialista reforça que há grande potencial de crescimento no setor, principalmente pela baixa presença de produtores regularizados.
“É um nicho que tem muito espaço e que tem poucas pessoas na formalidade. Então tem muita coisa pra gente poder trabalhar e tem muito espaço para ganhar”, apontou Gislaine.

Com a regularização, o produtor passa a ter acesso a mercados, merenda escolar e outros canais de venda, além de conseguir melhores preços. Mesmo com custos elevados, especialmente com alimentação, o ovo caipira tem maior valor agregado e costuma ter saída rápida.
O episódio também trouxe orientações para quem deseja iniciar na atividade, reforçando a importância do manejo adequado, sanidade e planejamento técnico, além do suporte de instituições como o Senar/MS para orientar toda a cadeia produtiva.
