Um peixe que pode passar dos 200 kg, respirar na superfície e transformar qualquer pescaria em uma batalha de força virou atração no Rio Teles Pires, em Itaúba, no norte de Mato Grosso. Conhecido como “gigante amazônico”, o pirarucu tem atraído pescadores esportivos para a região e, na última semana, um exemplar de mais de 50 kg foi fisgado durante uma pescaria no Porto Santo Expedito.
O registro foi feito pelo biólogo, empresário do segmento da pesca e influenciador Israel Cyborg, que saiu de Minas Gerais para mais uma temporada de gravações em Mato Grosso. Segundo ele, pelo menos duas vezes por ano a viagem até Itaúba entra no roteiro, justamente pela força da pescaria no Teles Pires e pelo interesse em encontrar grandes peixes, entre eles o pirarucu.
Para quem pesca, o encontro com um animal desse tamanho é daqueles que ficam na memória. Israel conta que, quando o pirarucu passa dos 50 kg, a emoção cresce junto com o desafio. A briga é intensa, esportiva e exige técnica, resistência e respeito pelo peixe.
Apesar do fascínio que desperta, a presença do pirarucu no Teles Pires também levanta uma discussão importante. A espécie não pertence naturalmente a essa região da bacia e teria chegado ao local por introdução irregular. Para Israel, a situação é resultado de uma prática criminosa que acabou criando as condições para que um superpredador encontrasse ambiente favorável e começasse a se estabelecer.
O professor doutor Claumir Cesar Muniz, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), explica que o pirarucu é a maior espécie de peixe de escama de água doce encontrada no Brasil. Em Mato Grosso, ele ocorre naturalmente na bacia do Araguaia e na parte baixa da bacia amazônica. Fora dessas áreas, a presença do animal deve ser vista com atenção.
Segundo o pesquisador, quando uma espécie exótica se adapta a um novo ambiente, ela pode competir com peixes nativos e afetar populações importantes para a pesca profissional, o turismo de pesca e até a subsistência de comunidades que dependem do rio.
É justamente aí que o pirarucu do Teles Pires se torna uma história de duas faces. De um lado, impressiona pelo tamanho, pela força e pelo potencial de atrair pescadores esportivos para o norte de Mato Grosso. De outro, acende um alerta sobre os impactos ambientais provocados pela introdução de espécies fora de seu ambiente natural.
Israel resume a situação com um olhar de pescador e biólogo: o peixe não tem culpa de estar ali, mas, enquanto a presença dele não for controlada, seguirá proporcionando momentos inesquecíveis para quem vive a emoção da pesca esportiva.
Pirarucu: o gigante amazônico
Conheça algumas características de um dos peixes mais impressionantes do Brasil.
Origem É natural da bacia amazônica e, em Mato Grosso, ocorre naturalmente na região do Araguaia.
Tamanho É um dos maiores peixes de escama de água doce do Brasil e pode passar dos 200 kg.
Respiração Costuma subir à superfície para respirar, o que facilita sua identificação nos rios.
Carne Tem carne firme, saborosa e muito valorizada na culinária regional.
Pesca esportiva É conhecido pela força e pela briga intensa quando fisgado.
Apelido Recebe o nome de “gigante amazônico” pelo porte e pela imponência nos rios.
No Teles Pires, o “gigante amazônico” virou espetáculo. Mas também virou aviso: quando a natureza é alterada, até uma cena bonita pode carregar um desequilíbrio silencioso por baixo da água.
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