saiba se quem teve câncer pode doar sangue

Durante o tratamento para combate do câncer, muitos pacientes oncológicos precisam receber transfusões durante o tratamento e, após a recuperação, desejam retribuir o ato ajudando outras pessoas da mesma. No entanto, existe a dúvida se quem já teve câncer pode doar sangue.

É o caso da cuiabana Maria Conceição Ferreira de Lara, de 59 anos. Diagnosticada com câncer de mama, ela passou por cirurgia em 2020 e atualmente faz quimioterapia oral. Embora se considere curada, sabe que ainda não pode doar sangue por estar em tratamento.

“Eu me considero curada, mas continuo tomando os remédios e sei que hoje não posso doar porque ainda estou em tratamento. Se um dia eu puder, quero sim ser doadora. Eu sei o quanto isso salva vidas”, afirma.

Apenas uma doação de uma bolsa de sangue pode salvar quatro vidas. – Foto: Secom-MT

Dados do Ministério da Saúde mostram que apenas entre 1,4% e 1,8% da população brasileira doa sangue regularmente. Embora mais de 3 milhões de bolsas sejam coletadas anualmente no país, o percentual ainda está abaixo do considerado ideal pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que estima uma taxa entre 3% e 5% da população para garantir estoques mais seguros e estáveis.

Segundo o médico oncologista Wilson Garcia, a primeira informação que precisa ficar clara é que pessoas com câncer ativo ou em tratamento não podem doar sangue.

No entanto, os critérios para doação entre pessoas que já tiveram câncer são bastante rigorosos. De acordo com Garcia, o prazo mínimo para que um paciente curado possa ser considerado apto à doação é de cinco anos de remissão completa da doença.

O médico explica que a avaliação leva em consideração diversos fatores, incluindo o tipo de câncer, os tratamentos realizados, o tempo de remissão, possíveis sequelas do tratamento e as condições gerais de saúde do paciente.

Uma dúvida comum é se o câncer pode ser transmitido por meio da transfusão. Segundo o especialista, isso não acontece. “O câncer não é uma doença contagiosa. Uma pessoa não desenvolve câncer por receber sangue de alguém que teve a doença e se curou”, esclarece.

Conforme o oncologista, as exceções costumam envolver tumores muito iniciais, como alguns casos de câncer de pele não melanoma e lesões pequenas de colo do útero, desde que o tratamento tenha sido exclusivamente cirúrgico e que o paciente esteja há mais de cinco anos sem sinais da doença.

“Muitos pacientes que venceram o câncer desejam ajudar outras pessoas após o tratamento. O mais importante é compreender que existem critérios para garantir a segurança dos envolvidos. A avaliação médica individual é o caminho mais seguro para definir a aptidão para a doação”, conclui.

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Avaliação de paciente curado de câncer para fazer doação de sangue leva em consideração diversos fatores, cita oncologista. – Foto: Reprodução

Outro ponto importante é o tipo de câncer enfrentado pelo paciente. Os tumores sólidos como câncer de mama, próstata, pulmão, intestino e tireoide, etc. Já as neoplasias hematológicas afetam diretamente o sangue, a medula óssea ou o sistema linfático, como leucemias, linfomas e mielomas.

“Os critérios costumam ser ainda mais restritivos para pessoas que tiveram doenças hematológicas, devido às características dessas enfermidades e aos tratamentos empregados”, destaca.

O oncologista lembra que o sangue é indispensável em cirurgias, transplantes, tratamentos oncológicos, atendimentos de emergência e no socorro a vítimas de acidentes. Além de transportar oxigênio dos pulmões para todas as células do organismo, ele não é produzido artificialmente.

“Uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas diferentes. Isso porque a bolsa coletada é processada e separada em diferentes componentes, como hemácias, plasma, plaquetas e crioprecipitado, que podem ser utilizados em pacientes com necessidades específicas’, detalha.

🩸 Critérios para doação de sangue

Neste dia 14 de Junho comemora-se o Dia Mundial do Doador de Sangue. A data de 14 de junho foi instituída em homenagem ao nascimento de Karl Landsteiner, imunologista austríaco que descobriu o fator Rh e as várias diferenças entre os tipos sanguíneos.

A doação é o processo pelo qual um doador voluntário tem seu sangue coletado e armazenado em um banco de sangue ou hemocentro, para uso subsequente em transfusões de sangue.

A quantidade de sangue retirada não afeta a saúde do doador, pois a recuperação ocorre imediatamente após a doação. Uma pessoa adulta tem, em média, cinco litros de sangue e em uma doação são coletados no máximo 450 ml.

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