A Justiça de Mato Grosso tornou réus o casal Anibal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, e outras sete pessoas por homicídio qualificado e integração em organização criminosa armada no caso do assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em 5 de dezembro de 2023.
A decisão é dessa sexta-feira (12) da juíza Monica Catarina Perri Siqueira, que acatou parcialmente a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Foi decretada ainda a prisão preventiva de Elenice e que outros três réus usem tornozeleira eletrônica.
A peça acusatória descreveu os fatos que culminaram na contratação de organização criminosa armada (Comando C4) para a execução de Zampieri, motivada pela disputa possessória da Fazenda Lagoa Azul, avaliada em R$ 100 milhões, com elementos colhidos ao longo de investigação conduzida pela Polícia Civil (PJC-MT) e pela Polícia Federal (PF), sob a relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin.
O Ministério Público requereu a decretação da prisão preventiva de Elenice Ballarotti Laurindo, Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveirra e Mario Jorge Bucater, sustentando que os fundamentos reconhecidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, em caso dos integrantes do “Comando C4” seriam extensíveis a todos os ora denunciados.
A magistrada considerou que a prisão preventiva é medida de natureza excepcional. Contudo, avaliou que, no caso de Elenice, o pedido de prisão encontra amparo.
“As quebras de sigilo bancário indicaram saques vultosos em espécie de contas de sua titularidade, com depósito, em curto intervalo temporal, em conta de empresa gerida por Etevaldo Caçadini em valores e cronologia compatíveis com o pagamento de R$ 124.250,00 antes da execução e de R$ 60 mil após consumação do crime”, diz trecho do documento.
Além disso, a própria denúncia destaca que, após o homicídio, Caçadini telefonou a Hedilerson e, em seguida, separadamente, a Anibal e a Elenice, como “prestação de contas” do serviço executado.
Conforme a decisão, o casal ostentam “risco concreto de reiteração delitiva e comprometimento da instrução criminal” após indícios de que a organização se empenhou em “verdadeiro pacto de silêncio”, mediante pagamentos entre R$ 500 mil e R$ 750 mil para que os executores presos não apontassem os mandantes do crime.
Aníbal já está em prisão preventiva decretada e tem sido mantida.
Esposa teve papel fundamental
A juíza ainda menciona que o crime imputado a Elenice Ballarotti Laurindo reforça a necessidade da custódia cautelar pois se trata de contratação de organização criminosa armada e estruturada para a execução de um homicídio sob encomenda, mediante emboscada que não ofereceu à vítima qualquer possibilidade de reação ou defesa.
Três membros devem usar tornozeleira eletrônica
No caso de Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater, a ausência de demonstração de participação direta no homicídio de Roberto Zampieri, e, quanto a Peterson Venites Komel Júnior, a ausência de evidência de envolvimento direto no fato homicida, restringindo-se a imputação a atos
de suporte logístico, financeiro e operacional ao “Comando C4”, foi indeferido o pedido de decretação da prisão preventiva.
Contudo foi determinado monitoramento eletrônico, recolhimento domiciliar noturno, proibição dos denunciados de manter contato uns com os outros e retenção de passaportes.
Morte de Zampieri
O advogado Roberto Zampieri tinha 56 anos quando foi assassinado com disparos de arma de fogo em dezembro de 2023, próximo ao escritório dele, no bairro Bosque da Saúde, na capital. A vítima estava em uma picape Fiat Toro quando foi atingida pelo executor com diversos disparos de arma de fogo.
Segundo a Polícia Civil, a morte teria sido contratada por causa da disputa de uma fazenda, avaliada em R$ 100 milhões, entre a vítima e o mandante do crime. Por acreditar que Zampieri ganharia a causa por ter proximidade com quem iria decidir, o fazendeiro procurou alguém para matar o advogado.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil e pela Polícia Federal concluíram que o mandante do assassinato do advogado Roberto Zampieri foi o produtor rural Aníbal Manoel Laurindo.

O coronel da reserva do Exército Etevaldo Caçadini, investigado e apontado como financiador do assassinato, foi preso em janeiro de 2024. Conforme as investigações, a morte de Zampieri foi encomendada por R$ 40 mil.
Além deles, foram presos Antônio Gomes da Silva, o atirador, e Hedilerson Barbosa, o intermediador, auxiliar do atirador e dono da pistola 9 mm usada no assassinato.
Dois anos depois, em maio de 2025, a Polícia Federal prendeu cinco homens envolvidos no assassinato do advogado, durante a sétima fase da Operação Sisamnes. Segundo a PF, o grupo criminoso realizava atividades de espionagem e homicídios sob encomenda.
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