PF apreende Rolex, arma e canetas de luxo em operação que mira desembargador e deputado em Cuiabá

A Polícia Federal apreendeu arma de fogo, centenas de munições, carregadores, canetas de luxo e um relógio Rolex avaliado em mais de R$ 100 mil durante a Operação Gemini, deflagrada nesta segunda-feira (8), em Cuiabá. A ação teve entre os alvos o desembargador Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil (PL), investigados por suposto envolvimento em um esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Canetas e relógio de luxo foram apreendidos em operação da PF. – Foto: Polícia Federal

As imagens divulgadas pela PF mostram parte dos materiais recolhidos durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão. Entre os objetos está um relógio da marca Rolex, além de uma pistola, carregadores, munições e canetas de alto padrão.

Além das buscas, a Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. Segundo a Polícia Federal, as apurações apontam para possíveis crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.

A Operação Gemini é mais um desdobramento das investigações que apuram suspeitas de comercialização de decisões judiciais em Mato Grosso. Até o momento, a PF não divulgou detalhes sobre a origem dos bens apreendidos nem atribuiu a posse dos objetos a algum dos investigados.

Suposto operador financeiro

Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta que o desembargador utilizaria uma rede formada por um advogado e um parlamentar estadual para ocultar patrimônio, movimentar recursos e receber supostas vantagens indevidas.

Desembaragador Dirceu dos Santos foto TJMT
O desembargador Dirceu dos Santos foi afastado pela Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ). – Foto: TJMT

De acordo com os investigadores, o grupo atuaria por meio de operações financeiras e imobiliárias destinadas a dar aparência de legalidade aos valores movimentados. A apuração teve início a partir da análise de dados extraídos de aparelhos celulares, relatórios de inteligência financeira e informações compartilhadas com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A PF afirma ainda ter identificado movimentações consideradas atípicas, incluindo mais de R$ 3,2 milhões em depósitos e saques em dinheiro. Também são investigados repasses sem justificativa comercial identificada, supostamente realizados por empresas do agronegócio que possuíam processos relacionados a disputas fundiárias em tramitação no Tribunal de Justiça.

Afastado pelo CNJ

Em março deste ano, o desembargador Dirceu dos Santos foi afastado do cargo pelo CNJ pela terceira vez, após uma investigação apontar indícios de enriquecimento incompatível com os rendimentos declarados e possível recebimento de vantagens indevidas em decisões judiciais.

Segundo o CNJ, a análise das movimentações financeiras do magistrado identificou uma variação patrimonial superior a R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos. O órgão também apontou evolução patrimonial considerada incompatível com a renda declarada em alguns dos anos analisados.

Em nota divulgada à época, Dirceu dos Santos afirmou que colabora com as investigações, está à disposição das autoridades e sustentou que os valores mencionados foram regularmente declarados à Receita Federal.

O Primeira Página tenta contato com o desembargador e com deputado Faissal.

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