O juiz da 1ª Vara Criminal da Comarca de Sorriso (MT), Rafael Depra Panichella, determinou a devolução do celular de Ivan Michel Bonotto, esfaqueado e morto em março de 2025 em uma briga de bar. As investigações apontaram que ele foi executado a mando de Gabriel Júnior Tacca após um suposto relacionamento extraconjugal com a esposa dele.
Conforme a decisão, o magistrado atendeu o pedido de restituição de coisa apreendida formulado pelos advogados da família de Ivan. Com isso, o aparelho, que foi peça-chave nas investigações, deve retornar aos parentes.
O aparelho havia sido retido para perícia após as investigações sobre o crime apontarem que a esposa de um dos envolvidos na morte de Ivan teria tentado ocultar provas, apagando conteúdos o celular da vítima ainda no hospital.
Em 17 de abril deste ano ocorreu uma audiência de instrução do caso. Foi realizada a oitiva das testemunhas de defesa, bem como, os interrogatórios dos acusados Danilo Carlos Guimaraes e Gabriel Junior Tacca.
Não há nos autos requerimento do autor da ação penal quanto a diligências ou perícias necessárias no aparelho, que aparentemente não interessa ao processo neste momento. Também não existe óbice para sua devolução, podendo ser ordenada a restituição nos termos do artigo 120 do Código de Processo Penal. Além disso, não há dúvidas sobre a propriedade do celular nem de que o bem não é oriundo de atividade criminosa.
O crime
Conforme a Polícia Civil, o crime ocorreu na noite de 21 de março de 2025, em Sorriso (MT) e Ivan morreu na UTI em 13 de abril. Ele foi esfaqueado na Distribuidora Tacca, por Danilo Carlos Guimarães. O agressor afirmou à polícia que o crime ocorreu em contexto de briga de bar e que não conhecia a vítima.
No entanto, após início das investigações, ficou comprovado que Ivan era amigo próximo do dono da distribuidora, o empresário Gabriel Júnior Tacca, e que o executor havia mentido em depoimento.

A polícia apurou que a esposa de Gabriel, a médica Sabrina Iara de Mello, mantinha um relacionamento extraconjugal com Ivan, a vítima. Ao descobrir da traição da esposa e do amigo, Gabriel contratou Danilo para matar Ivan dentro de seu estabelecimento, simulando uma briga a fim de disfarçar o crime.
Ivan era morador de Tapurah (MT) e quando visitava Sorriso se hospedava na residência do casal, com quem tinha vínculo de amizade e também um “romance” com a médica enquanto o amigo viajava.
Segundo a denúncia do Ministério Público (MPMT) o crime foi praticado por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima, com entendimento de que os acusados agiram de forma premeditada, em comunhão de esforços e com dissimulação.
A denúncia, assinada pelo promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino, aponta que o homicídio foi motivado por vingança pessoal.
Conforme o MP, o envolvimento entre Sabrina e Ivan teria despertado um intenso sentimento de vingança e rancor em Gabriel, sendo a descoberta da traição e do relacionamento extraconjugal “o estopim” para o cometimento do crime.
Gabriel Tacca e Danilo Guimarães foram presos durante a Operação Inimigo Íntimo, deflagrada pela Polícia Civil.
Após o crime, Sabrina teria invadido o celular da vítima no hospital, apagando mensagens, arquivos e fotografias que poderiam comprovar a relação amorosa extraconjugal. A conduta foi enquadrada como fraude processual qualificada.
Embora grave, o Ministério Público entendeu que a ação de Sabrina não possuía ligação direta com o homicídio, não havendo provas, até o momento do oferecimento da denúncia, de sua participação na trama ou na execução do crime.
Por isso, foi solicitado o desmembramento do processo, com o encaminhamento da apuração da fraude à 2ª Vara Criminal de Sorriso.
-
Médica nega envolvimento em assassinato de amante em Sorriso
-
Homem que confessou ter marcado encontro e matado amante da esposa é preso