Unir a ancestralidade dos povos originários à alta tecnologia que move o campo em Mato Grosso. Essa foi a proposta da 5ª edição do projeto “Encontro de Culturas”, que levou professores e estudantes das Escolas Municipais Primavera, São Domingos e do Centro Municipal de Educação Básica (CMEB) Sorriso para uma jornada de dois dias de imersão e aprendizado prático no município de Gaúcha do Norte.
A iniciativa pedagógica foi desenhada para conectar os conteúdos teóricos das salas de aula com vivências de campo, dividindo-se em dois momentos complementares: o reconhecimento da diversidade étnica do estado e a observação do circuito produtivo do agronegócio regional.
Intercâmbio de saberes na Aldeia Kaupuna
A primeira etapa do roteiro consistiu em uma visita ao Parque Indígena do Xingu, onde o grupo foi recebido na Aldeia Kaupuna, pertencente à etnia Mehinaku. Durante a estadia, os alunos do ensino fundamental puderam acompanhar a rotina e a organização social da comunidade.
Os estudantes interagiram com lideranças e moradores locais para conhecer de perto:
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As técnicas de artesanato tradicional e a pintura corporal;
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Os rituais sagrados e a preservação dos cantos nativos;
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A culinária típica baseada no manejo sustentável dos recursos da floresta;
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A estrutura habitacional e a relação de harmonia com a natureza do entorno.
Para a estudante Alana Gabrielly, da Escola Municipal Primavera, a experiência foi marcante. “Gostei muito de conhecer a aldeia, aprender sobre os costumes do povo Mehinaku e ver como eles vivem. Foi uma viagem que me ensinou muitas coisas e que vou lembrar para sempre”, relatou.
Tecnologia e sustentabilidade na prática agrícola
No segundo momento da programação, a delegação escolar mudou o cenário e seguiu para um dia de campo na Fazenda Agroraça, de propriedade do produtor rural Adalberto Grando. Ali, o foco foi compreender a engrenagem econômica do estado através do uso da tecnologia aplicada ao cultivo de grãos.
Os técnicos e gestores da propriedade apresentaram aos alunos o funcionamento dos maquinários de última geração, as práticas de manejo ambiental, o monitoramento de safras e as inovações em sustentabilidade adotadas para otimizar a produção sem agredir o ecossistema.
“O Encontro de Culturas vai muito além de uma viagem de estudos. É uma oportunidade para que os alunos vivenciem na prática conteúdos trabalhados em sala de aula, ampliem sua visão de mundo e percebam como tradição, sustentabilidade e tecnologia podem caminhar juntas”, explicou o professor Rui Freire Guimarães, coautor do projeto.
Formação humana e multiplicação do conhecimento
A professora Sandra Terezinha Bampi Grando destacou que o projeto atua diretamente na formação de valores como empatia, responsabilidade social e respeito às diferenças. Ela fez questão de agradecer ao empresariado parceiro que abriu as portas e investiu tempo para apresentar a realidade do campo aos jovens.
O impacto da viagem, no entanto, não vai se restringir apenas aos participantes. O planejamento prevê que os estudantes agora atuem como multiplicadores de conhecimento dentro de suas respectivas comunidades.
Nos próximos dias, as três instituições de ensino participantes vão organizar uma mostra cultural integrada. Por meio de exposições de fotos, relatórios de campo, rodas de conversa e pesquisas baseadas nos relatos colhidos no Xingu e na fazenda, os saberes construídos na viagem serão compartilhados com os demais alunos, pais e moradores de Sorriso.
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