Mato Grosso quebrou uma barreira histórica em seus indicadores sociais e econômicos. O estado alcançou a marca de 0,812 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), consolidando um crescimento de mais de 9% nos últimos 12 anos.
Os dados, que constam no relatório global Radar IDHM, inserem oficialmente o território mato-grossense no patamar de “Muito Alto Desenvolvimento Humano” — a classificação mais alta na régua internacional do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
O levantamento, realizado em parceria com a Fundação João Pinheiro (FJP) e o IBGE, mede o progresso dos estados e regiões brasileiras com notas que variam de 0 a 1.
Qualquer pontuação acima de 0,800 coloca a região no topo do bem-estar social. Com o novo desempenho, Mato Grosso garantiu a 8ª posição no ranking nacional das unidades da federação que atingiram a faixa de excelência.
A arrancada pós-pandemia
A trajetória de Mato Grosso na última década revela o tamanho do desafio superado pelo estado. O avanço recente foi marcado por uma forte recuperação após o baque econômico e sanitário sofrido nos anos de 2020 e 2021.
A evolução dos números mostra o ritmo dessa virada:
-
2012: O estado abriu a série histórica com índice de 0,743;
-
2021: Após o auge da crise sanitária, o IDHM local estagnou em 0,745;
-
A virada: Nos três anos seguintes, o estado registrou um salto nominal expressivo de 0,067 ponto, escalando de 0,745 para os atuais 0,812.
No cenário nacional, o Brasil também comemora uma marca inédita: o país cravou média de 0,805, entrando, pela primeira vez na história, no grupo global de muito alto desenvolvimento. No topo do ranking nacional aparecem o Distrito Federal (0,866), São Paulo (0,838) e Santa Catarina (0,833).
Educação e renda: A fórmula do avanço
A metodologia do Pnud audita a qualidade de vida a partir de três pilares: saúde/longevidade, educação e geração de renda. Segundo a análise de especialistas, o avanço estrutural de Mato Grosso e do Brasil é resultado direto de políticas públicas que conseguiram manter crianças na escola e injetar recursos nas famílias mais vulneráveis.
De acordo com Betina Barbosa, coordenadora de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, programas sociais de transferência de renda de longo prazo mudaram a realidade educacional do país.
“O Bolsa Família, por exemplo, tem um efeito direto e visível na pontuação do IDH. Ele retira uma quantidade massiva de crianças do mercado de trabalho infantil e dá a elas a condição e a obrigatoriedade da frequência escolar. Isso gera um impacto cascata que melhora a escolaridade média e a saúde básica da população”, explicou a coordenadora.
Redução gradual no abismo racial
O relatório também traz um dado inédito de reparação histórica: a redução paulatina da desigualdade de raça e cor nas grandes metrópoles. Pela primeira vez, o IDH específico da população negra atingiu o nível de “Muito Alto Desenvolvimento” em sete das regiões metropolitanas avaliadas.
Embora o avanço seja comemorado, o abismo social ainda é evidente: a população branca já atinge o patamar máximo de desenvolvimento em 100% das regiões analisadas, indicando que o fechamento definitivo dessa lacuna histórica continua sendo o principal desafio para os gestores públicos.
Google Notícias
Siga o CenárioMT
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.