Pivetta recua em audiência e anuncia grupo técnico para revisar Lei do Transporte Zero em Mato Grosso

O Palácio Dante de Oliveira sediou um dos embates políticos e sociais mais complexos da atual gestão do Poder Executivo estadual. Durante uma concorrida audiência pública promovida pela Comissão de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Recursos Minerais da Assembleia Legislativa (ALMT), pescadores artesanais, parlamentares e cientistas debateram as consequências socioeconômicas da chamada Lei do Transporte Zero, que completará três anos de vigência em julho de 2026.

A grande surpresa do evento institucional ficou por conta da participação presencial do governador Otaviano Pivetta. O comparecimento do chefe do Executivo foi classificado pelo deputado estadual Wilson Santos como um gesto político inédito e um indicativo claro de abertura para a flexibilização das regras restritivas que pesam sobre as comunidades ribeirinhas do estado.

Pivetta admite impactos econômicos severos e autoriza a reabertura do programa Repesca

Pressionado pelas lideranças das 22 colônias de pescadores de Mato Grosso, o governador admitiu publicamente que a legislação gerou sérias travas de subsistência e dificuldades financeiras para milhares de famílias de pescadores profissionais. Diante dos relatos de vulnerabilidade, Pivetta anunciou como medida mitigatória imediata a reabertura do programa Repesca, um auxílio governamental destinado a cadastrar e amparar os trabalhadores do setor que haviam sido excluídos ou que não conseguiram acessar o benefício financeiro anteriormente.

Além do socorro emergencial, que contará com busca ativa nos municípios por meio das colônias e equipes dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), o governo estadual acatou a exigência de criar um grupo de trabalho conjunto. O comitê, composto por secretários de Estado e deputados da ALMT, terá o prazo improrrogável de 15 dias para formatar e apresentar sugestões de alteração e aperfeiçoamento técnico do texto original da lei.

Os encaminhamentos estratégicos definidos na audiência pública incluem:

  • Retorno do Auxílio: Reabertura imediata das inscrições para o programa de compensação Repesca;
  • Comitê de Revisão: Criação de grupo técnico entre ALMT e Governo para revisar restrições em 15 dias;
  • Lista de Espécies: Estudo para liberar a captura e comércio de peixes sem interesse para o turismo;
  • Auditoria Socioambiental: Avaliação técnica dos impactos reais da lei após quase três anos de proibição.

Fim do pedágio de três anos: Emenda parlamentar obriga revisão global dos impactos da lei

A rediscussão da Lei do Transporte Zero ocorre em um momento previsto pelo próprio ordenamento jurídico. No ato de sua aprovação, uma emenda parlamentar costurada pela oposição garantiu que o dispositivo legal deveria passar por uma reavaliação obrigatória e profunda após 36 meses de aplicação prática, analisando dados científicos de repovoamento de espécies nos rios e os índices de empobrecimento das cidades que dependem do turismo pesqueiro comercial.

Defensores da manutenção da lei apresentaram relatórios apontando para o expressivo crescimento do segmento de pesca esportiva em Mato Grosso. Contudo, Wilson Santos contra-argumentou que o avanço do turismo de hotéis e pousadas não pode sufocar a subsistência da pesca artesanal. “O auxílio financeiro mensal é uma ferramenta de suporte válida, mas ele não substitui a cultura e a dignidade do trabalho das famílias que possuem sua identidade totalmente vinculada aos rios mato-grossenses”, enfatizou o deputado.

Raio-X do Debate da Lei do Transporte Zero Balanço Político e Deliberações Práticas (2026)
Marco Temporal da Legislação Completará 3 anos de vigência em julho de 2026
Medida de Socorro Anunciada Reabertura do Programa Repesca para pescadores sem renda
Prazo do Grupo de Trabalho 15 dias para apresentar propostas de emenda à lei
Representatividade no Plenário Lideranças de todas as 22 colônias estaduais de pesca

A abertura de diálogo promovida pelo governador Otaviano Pivetta na Assembleia Legislativa sinaliza que o arrocho da Lei do Transporte Zero sobre os trabalhadores tradicionais atingiu o limite da sustentabilidade social, evidenciando que injetar auxílios como o Repesca atenua o problema, mas não resolve o desejo das comunidades de reassumirem o controle de suas atividades econômicas, embora ambientalistas argumentem que flexibilizar as regras agora colocará em risco o estoque pesqueiro dos rios de Mato Grosso. Você considera que a Lei do Transporte Zero deve ser revogada imediatamente para permitir a retomada total da pesca profissional artesanal, ou acredita que o governo deve apenas liberar a comercialização de algumas espécies específicas, mantendo a proteção rigorosa sobre os peixes mais cobiçados pela pesca esportiva e pelo turismo? Participe do debate e deixe seu comentário abaixo.

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