Neste domingo (24) é celebrado o Dia Nacional do Café, uma das bebidas mais consumidas pelos brasileiros e presença quase obrigatória na rotina de muitas pessoas. Seja na manhã, no trabalho ou no meio da tarde, a bebida costuma ser associada à disposição e energia. Mas até que ponto a cafeína realmente ajuda o organismo?
Um estudo da Universidade Nacional de Singapura aponta que a cafeína pode amenizar os efeitos da falta de sono na memória e na concentração. Segundo os pesquisadores, a substância atua em áreas do cérebro ligadas à aprendizagem e ao foco.
Apesar disso, ele não substitui uma boa noite de descanso. A neurologista Renata Kawano explica que a substância funciona como um estimulante temporário do cérebro.
“Ele ajuda de verdade, mas de uma forma limitada, porque o café é um psico-estimulante e ele bloqueia uma molécula chamada adenosina, que bloqueia essa sensação de sono então, apesar de você não criar uma nova energia, ele consegue diminuir a sensação de cansaço e aí você consegue estudar ou trabalhar um pouco mais de uma forma limitada”, afirma.
A médica ainda ressalta que o consumo pode melhorar momentaneamente a atenção e o tempo de reação, mas que os efeitos da privação de sono continuam afetando o organismo.
“Ele consegue melhorar o seu tempo de reação, fica mais reativo, melhora a sua atenção e, naquele momento, consegue ter uma melhora no desempenho cognitivo, só que se você não conseguir dormir bem no dia seguinte, a privação de sono vai deixar o raciocínio um pouco mais lento com dificuldade de tomar decisões e também de conseguir armazenar novas memórias”, completa.

Mas, apesar dos benefícios, o excesso também pode causar problemas. A nutricionista Karyne Lima alerta que sintomas como ansiedade, insônia e taquicardia podem aparecer com o consumo exagerado.
“Para a maioria dos adultos saudáveis, a ciência considera segura a ingestão de até 400 miligramas de cafeína por dia, o que equivale a cerca de 3 a 4 xícaras de café coado de 150 ml cada”, explica.
Ela também destaca que alguns grupos devem evitar ou reduzir o consumo da cafeína.
“No entanto, a sensibilidade varia entre indivíduos, gestantes, lactantes, pessoas com ansiedade ou pânico, indivíduos com arritmias cardíacas, hipertensão, pessoas com distúrbios gástricos e com insônia severa deveriam evitar o consumo de cafeína”, afirma.
Café com sabor de tradição regional
Em MS, o café também ganha versões com ingredientes típicos do Cerrado. A agricultora familiar Carline Yumi Ohi mistura a bebida com a guavira.

“É um café que a gente incrementa ele, inclusive fruto símbolo do nosso estado e que é rico em nutrientes. Ela é rica em vitamina C, ela também é antioxidante, então tem uma série de fatores que ajudam muito”, explica.
A bebida é apresentada durante a feira da agricultura familiar realizada toda segunda quarta-feira do mês na Praça do Rádio, em Campo Grande. Segundo a agricultora, a proposta também é valorizar os produtos regionais.
“Aqui a gente está oferecendo hoje um café da manhã para os feirantes e para o público aqui da feira, com os frutos do cerrado, para a gente valorizar e aprender um pouco mais sobre eles, que são riquíssimos para a nossa sociobiodiversidade”, diz.