O Ministério da Agricultura e Pecuária oficializou nesta sexta-feira (22) o reconhecimento da raça ovina Berganês, criada no semiárido nordestino e considerada uma das mais promissoras para produção de carne no Brasil. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União por meio da Portaria SDA/MAPA nº 1.630.
Além do reconhecimento oficial da raça, a medida também autorizou a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos a realizar os registros genealógicos dos animais, permitindo a emissão de pedigree e a organização formal da linhagem genética do Berganês. A entidade está sediada em Bagé, no Rio Grande do Sul, e possui cadastro oficial no Ministério da Agricultura.
O reconhecimento representa um marco histórico para produtores do sertão pernambucano, onde a raça começou a ser desenvolvida ainda na década de 1980, em meio às dificuldades impostas pelas secas constantes na Caatinga.
Além de Pernambuco e Rio Grande do Sul, atualmente, já existem criadores do Berganês nos estados do Piauí, Maranhão, Paraíba e Bahia.
O Berganês
Originado do cruzamento entre as raças Santa Inês e Bergamácia, o Berganês nasceu no município de Dormentes, no Sertão de Pernambuco, a partir da iniciativa de pequenos agricultores familiares que buscavam uma alternativa de renda diante das perdas na agricultura de subsistência.
Como nasceu o Berganês: o cruzamento criado no sertão que virou raça oficial no Brasil
Desenvolvido no semiárido pernambucano, o Berganês surgiu da mistura entre Santa Inês e Bergamácia para criar um ovino resistente à seca, precoce e voltado à produção de carne.
Origem
O Berganês começou a ser desenvolvido na década de 1980 por agricultores familiares de Dormentes, no sertão de Pernambuco, após sucessivas secas afetarem a agricultura da região.
Raças utilizadas
O cruzamento utilizou ovinos das raças Santa Inês e Bergamácia, buscando unir rusticidade, ganho de peso acelerado e melhor qualidade de carne.
Resultado genético
Após nove gerações de cruzamentos, os pesquisadores identificaram composição genética aproximada de 58,79% Santa Inês e 41,21% Bergamácia.
Destaques da raça
O Berganês apresenta rápido crescimento, carne marmorizada, adaptação ao clima da Caatinga e rendimento superior ao de outras raças criadas no Nordeste.
Entenda o cruzamento que originou o Berganês
Chegada das primeiras raças
Em 1987, produtores adquiriram animais Santa Inês e Bergamácia para melhorar rebanhos sem raça definida no semiárido.
Cruzamentos sucessivos
Os ovinos passaram por cruzamentos contínuos ao longo de anos até apresentar características físicas e produtivas homogêneas.
Formação do ecótipo
Em 2003, os animais já transmitiam os padrões genéticos aos descendentes, consolidando o ecótipo Berganês.
Reconhecimento oficial
Em 2026, o Ministério da Agricultura reconheceu oficialmente o Berganês como raça ovina brasileira.
Na época, muitas propriedades dependiam do cultivo de milho, feijão, mamona e algodão, mas as sucessivas estiagens reduziram drasticamente a produtividade. Foi então que produtores passaram a investir na ovinocultura, utilizando pequenas áreas para plantio de capim Buffel e melhoramento genético dos rebanhos.
Em 1987, chegaram os primeiros animais das raças Santa Inês e Bergamácia. A partir de cruzamentos sucessivos, os criadores começaram a perceber o surgimento de um padrão genético próprio. Já em 2003, os animais apresentavam características homogêneas e transmitiam essas qualidades aos descendentes, consolidando o ecótipo Berganês.
Os números chamam atenção. Segundo pesquisadores e criadores envolvidos no projeto, os cordeiros nascem com média de 4,5 kg e podem atingir até 12 kg no primeiro mês de vida. Entre 18 e 24 meses, alguns animais chegam de 130 kg a 140 kg, com rendimento de carcaça entre 65 kg e 70 kg — desempenho superior ao da raça Santa Inês.

A raça também se destaca pela precocidade. Em apenas poucos meses, os animais já atingem peso adequado para o mercado consumidor do Nordeste, que demanda cordeiros jovens para abate.
Outra característica valorizada é a rusticidade. O Berganês foi selecionado ao longo de décadas para suportar o clima quente e seco da Caatinga, apresentando boa adaptação ao semiárido brasileiro.
Fisicamente, os animais possuem chanfro convexo, orelhas grandes e pendulosas, ausência de chifres, cascos escuros e pelagem sólida sem lã. A aptidão para produção de carne é um dos principais diferenciais da raça, que também ganhou fama pela carne marmorizada e pelo sabor associado à vegetação nativa da Caatinga.
Pesquisadores apontam ainda que o Berganês possui composição genética aproximada de 58,79% da raça Santa Inês e 41,21% da Bergamácia, resultado de nove gerações de cruzamentos.
O avanço do melhoramento genético abriu espaço até para novos cruzamentos com a raça sul-africana Dorper, gerando animais ainda mais valorizados pela conformação de carcaça e qualidade da carne.
Com o reconhecimento oficial do governo federal, a expectativa é que a raça ganhe espaço em exposições, programas de melhoramento genético e no mercado nacional de carne ovina, ampliando a valorização dos produtores do semiárido nordestino.
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