TDAH em adultos: mito ou realidade?

Para se falar em transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, há de se compreender melhor o que é atenção e o que é hiperatividade. Devemos ter conhecimento também de que a atenção faz parte do processo cognitivo e que a cognição é definida como o conjunto de processos mentais que permitem, ao ser humano, a aquisição, o armazenamento, a transformação e o uso de informações para que possa interagir com o mundo, ou seja, é a “engrenagem mental” que possibilita o pensamento, o aprendizado, a lembrança, a resolução de problemas, a tomada de decisões e a comunicação humana.

Como antes dito, a atenção faz parte deste processo, diz respeito a selecionar, focar e priorizar estímulos ou pensamentos, que passam a ser mais relevantes que outros, é como conseguir ler um livro em um café, alheio ao barulho à nossa volta.

Dividimos a atenção em cinco categorias principais: atenção sustentada, que diz respeito a manter o foco em uma mesma tarefa por longo tempo; atenção seletiva, que se refere à capacidade de manter o foco em algo visto como relevante, ignorando qualquer distração; atenção alternada, que é a capacidade que temos de alternar o foco entre duas tarefas diferentes; atenção dividida, quando conseguimos focar em duas coisas ao mesmo tempo, é a capacidade de multitarefas; e o hiperfoco, que nada mais é do que a atenção supersustentada, sempre em algo prazeroso ou desafiador ou em novidades.

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um problema do neurodesenvolvimento, caracterizado por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade, é uma condição crônica que impacta a capacidade de regular a atenção e interfere diretamente na vida acadêmica, profissional e social.

A pessoa portadora do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade vai apresentar dificuldade nas primeiras quatro das cinco categorias descritas acima.

Não consegue sustentar a atenção, como, por exemplo, ler atentamente uma página de um livro; selecionar a atenção é praticamente impossível uma vez que ouve e dá atenção até ao barulho de um mosquito; a atenção alternada também é prejudicada uma vez que a pessoa com TDAH tem dificuldade de ser interrompida no que está fazendo, para realizar algo diferente; multitarefas não se encaixam na vida de alguém com TDAH, que fica pulando entre as diversas tarefas que tem, terminando por deixar de fazer todas elas.

O quinto subtipo, que é o hiperfoco, este sim é algo presente na vida de alguém diagnosticado com TDAH, ele pode jogar horas a fio, deixando de lado água, comida e outras necessidades.

Sabe-se que a causa é multifatorial, incluindo fatores genéticos e ambientais, sendo que os primeiros estão presentes em cerca de 80% dos casos. Fatores ambientais também têm sua importância, como é o caso de filhos de mães, que usaram álcool, tabaco e drogas ilícitas durante a gestação. Importantes também na gênese deste transtorno são a prematuridade e as complicações durante e logo após o parto.

(Foto: Reprodução)

Os sintomas do TDAH iniciam na infância, geralmente com hiperatividade, e grande parte dos casos perdura por toda a vida. Na idade adulta, a hiperatividade externa é substituída por inquietação interna e a desatenção se torna mais evidente na vida acadêmica, no trabalho, nas finanças, nos relacionamentos, etc. A impulsividade é outra característica importante do TDAH, principalmente no adulto.

Muitas vezes o diagnóstico é tardio, já na idade adulta, porque o problema não foi descoberto na infância, muitas vezes porque os sintomas na infância foram leves ou compensados por alta inteligência, ou a criança tinha simplesmente o subtipo desatento, que pouco ou nada incomodava os outros. Eram crianças rotuladas como “preguiçosas” ou “ansiosas”.

Quanto ao adulto, estes adjetivos ainda lhe são dirigidos, além de mal-educados e desorganizados, mas, felizmente, isso tudo se resolve com o diagnóstico e tratamento adequado.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia