A viúva do policial militar Thiago de Souza Ruiz, Walkiria Filipaldi Corrêa, pediu a anulação de júri que condenou o investigador Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves pela morte do militar, ocorrida em abril de 2023, em uma conveniência de Cuiabá.
Em pronunciamento após o fim do julgamento, Walkiria afirmou que a decisão representa “impunidade” e criticou a atuação da defesa.
O investigador foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto após três dias de julgamento. No vídeo a viúva alegou que Mário saiu do fórum comemorando.
“O Mário saiu pela porta da frente ontem do fórum comemorando. A vida virou o quê? A morte de alguém virou uma comemoração. Foi uma comemoração. E ele saiu como Robin Hood, o homem que livra as mulheres de violência doméstica. O homem que matou porque teve uma demonstração machista, egoísta e arrogante”, declarou.
O julgamento foi encerrado nesta quinta-feira (14), com o Conselho de Sentença reconhecendo que Mário foi autor dos disparos que mataram Thiago e que agiu de forma negligente ao sacar a arma dentro de uma conveniência. A sentença fixou pena de dois anos de detenção em regime aberto e determinou a retirada da tornozeleira eletrônica.
Veja o vídeo:
No vídeo, Walkiria afirmou que a tese acolhida pelos jurados nunca havia sido apresentada ao longo da investigação e tramitação processual.
“Tão experte quanto seus defensores que trouxeram uma tese que nunca foi suscitada nem na fase do auto de prisão em flagrante, inquérito policial, extração de julgamento até a fase do júri. Em nenhuma página do processo há menção a homicídio culposo por negligência. Até o boletim de ocorrência é um homicídio qualificado”, comenta a viúva.
A viúva também criticou a condução da defesa durante o plenário do júri e afirmou que o cabo Thiago Ruiz teve sua imagem desqualificada diante dos jurados.
“A defesa a todo momento atacava a vítima. A vítima era isso, era aquilo, não vou repetir em respeito a quem está assistindo. Mas eram os níveis mais baixos que eu já vi na minha vida”, afirmou.
Segundo Walkiria, o investigador agiu de forma irresponsável ao efetuar os disparos em uma conveniência com outras pessoas presentes.
“A vítima levou sete tiros numa conveniência onde o réu não teve sequer nenhum temor de que lá tinham várias câmeras, onde o réu não teve nenhum respeito pela vida de terceiros, onde o réu se apresentava em flagrante estado de embriaguez e vem me dizer que a abordagem foi legítima”, declarou.

Em tom emocionado, ela afirmou que a família do policial militar se sentiu desrespeitada com o resultado do julgamento e rebateu a narrativa apresentada pela defesa. No fim do vídeo Walkiria pediu que o Ministério Público e o Poder Judiciário anulem o julgamento.
“Eu rogo e clamo ao Ministério Público, ao Poder Judiciário e ao meu assistente de acusação que anule esse júri. Isso é justiça. Isso é justo. O resto será impunidade. E impunidade, nós sabemos que é o fim da Justiça, é enterrar a humanidade. A impunidade é a morte da Justiça. E nós não queremos isso”, concluiu.
Após o fim da leitura da sentença, o Ministério Público recorreu da decisão imediatamente após a leitura da sentença.
-
Júri de investigador réu por morte de PM em conveniência de posto começa do zero
-
Promotor e advogado trocam ofensas em júri sobre morte de PM: ‘Lava sua boca’
-
‘Foi um ataque suicida’, diz policial civil acusado de matar PM em Cuiabá
-
Delegado recebeu ligação de investigador confessando morte em conveniência