STF busca explicações de deputado sobre suposto envio de emendas a filme que ele produz

Oficiais de Justiça tentam há mais de um mês intimar o deputado federal Mário Frias (PL-SP) a prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a empresas da produtora artística do filme Dark Horse” sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A determinação é do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino.

No dia 21 de março, Dino deu prazo para o parlamentar responder à denúncia da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), que acusa Frias de destinar R$ 2 milhões a ONG Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida por uma empresária a frente de entidades que produzem o filme biográfico sobre Bolsonaro.

Deputado federal Mário Frias é ex-secretário da Cultura no governo Bolsonaro, e produtor-executivo do filme Dark Horse. – Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

“À vista da necessidade de assegurar o cumprimento do Acórdão deste STF, de dezembro de 2022, que fixou balizas quanto à transparência e à rastreabilidade de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, determino a intimação da Câmara dos Deputados, por intermédio de seu Advogado-Geral, para que se manifeste acerca dos fatos reportados no prazo de 5 dias úteis”, diz trecho da determinação.

Parte da petição protocolada por Tábata no Supremo menciona que haveriam recursos de emendas
parlamentares, do tipo emendas “Pix”, destinados a associações civis e sociedades empresárias que figuram como clientes de serviços de “marketing eleitoral”.

“Há indícios que o superavit de recursos públicos destinados a fins sociais e culturais pode estar conferindo lastro indireto ao custeio da produção cinematográfica privada “Dark Horse”, de cunho ideológico, operada por uma das empresas do grupo”, diz Tábata no documento.

Deputada federal Tabata Amaral acusa o deputado Mário Frias de destinar emendas para filme que ele produz. - Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Deputada federal Tabata Amaral acusa Mário Frias de destinar emendas para filme que ele produz. – Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

A parlamentar compreende que, em tese, a destinação de tais recursos desafiaria diretrizes de transparência e publicidade estabelecidas pelo Supremo no âmbito da ADPF 854, exigindo rigorosa
fiscalização para impedir o desvio de finalidade e a confusão entre o erário e interesses privados ou eleitorais.

A deputada embasa a denúncia a partir da veiculação da matéria jornalística “Conexões de milhões – ‘Dark Horse’: Ligada a evangélicos, produtora de filme de Bolsonaro tem contrato de R$ 108 milhões com prefeitura de Ricardo Nunes em SP” publicada pelo portal The Intercept Brasil.

Frias rebate acusações

Roteirista e produtor executivo do filme, o deputado Mário Frias afirmou, na quarta-feira (13), que o senador Flávio Bolsonaro (PL) não tem qualquer participação societária no filme. Segundo Frias, a obra não recebeu “nem um único centavo” do Banco Master ou de Vorcaro.

“E ainda que houvesse [recebido], não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco”, sustentou.

Na mesma nota, Frias tenta justificar os custos da produção – superiores, por exemplo, aos valores do filme Ainda Estou Aqui, ganhador do Oscar de Melhor Filme Internacional, em 2025, que totalizaram R$ 45 milhões.

Frias foi secretário especial de cultura (2020/2022) da gestão de Jair Bolsonaro.

Áudio de Flávio Bolsonaro a Vorcaro

Nesta quarta-feira (13), reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil revelou que o senador Flávio Bolsonaro pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro que destinasse cerca de R$ 134 milhões para custear o filme Dark Horse. Deste total, Vorcaro teria liberado ao menos R$ 61 milhões.

Áudios divulgados revelam que o senador e o banqueiro trocaram mensagens sobre a necessidade de aporte financeiro para o filme às vésperas de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero.

Deflagrada em novembro de 2025, a operação aprofunda as investigações de supostos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e fraudes nas negociações entre os bancos Master e de Brasília (BRB).

Em vídeo publicado no Instagram, Flávio admitiu que pediu valores a Vorcaro e comenta que a iniciativa partiu de um interesse pessoal em homenagear o pai por meio de uma produção cinematográfica.

Ele cita que o projeto foi financiado exclusivamente com recursos privados, em tom de crítica a projetos que recebem recursos públicos por meio da Lei Rouanet.

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