amigo de policial morto relembra morte nos braços

Durante o julgamento do investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar a tiros o policial militar Thiago de Souza Ruiz, uma das testemunhas, que estava no local no dia do crime e que foi ouvida em plenário, pediu perdão à mãe da vítima por não ter conseguido salvar o amigo a tempo. A sessão do Tribunal do Júri começou nesta terça-feira (12) no Fórum de Cuiabá.

A declaração foi feita pelo investigador da DHPP, Walfredo Raimundo Adorno Mourão Junior. Muito emocionado, ele relembrou o momento em que o amigo Thiago foi atingido pelos disparos feitos pelo investigador Mário Wilson e ainda tentou socorrer o amigo, que deu o último suspiro de vida e morreu em seus braços, em um carro, a caminho do hospital. O crime ocorreu em 26 de abril de 2023.

A testemunha Walfredo, investigador da DHPP, emocionado em depoimento onde relembra morte do amigo Thiago Ruiz – Foto: Alair Ribeiro

“Eu falei – ‘Mário que merda você fez? Encosta na parede’, – mas não peguei na arma dele. Eu peguei o Thiago, puxei ele para a parte de trás do carro e fui com ele, segurando a mão dele, até o hospital onde ele deu o último suspiro. A polícia já estava lá, vieram apontando arma pra mim”, contou ele aos jurados e ao promotor de Justiça.

Ele acrescenta ainda que após o episódio teve de fazer tratamento psicológico e terapia por presenciar a morte do amigo, atingido pelos tiros dentro de uma conveniência em um posto de combustíveis de Cuiabá.

Arma na cintura e dúvidas sobre identificação policial

De acordo com Walfredo, o policial militar Thiago ergueu a blusa em determinado momento, expondo uma arma na cintura. Contudo, supôs que o investigador da PJC Mário não acreditou que Thiago era policial.

Segundo ele, Mário não seguiu os padrões exigidos pela Polícia ao avistar uma pessoa armada naquela situação.

“O procedimento adequado seria desarmar o cara e anunciar mãos para cima com arma em punho para desarmar a pessoa. O Mário falava que ia mostrar que era o ‘bichão da Derf’ [Delegacia de Roubos e Furtos], era o comportamento dele”, narrou.

O investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, réu pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, em abril de 2023 – Foto: Alair Ribeiro
O investigador Mário Wilson, réu pela morte do policial militar Thiago Ruiz, ocorrido em abril de 2023. – Foto: Alair Ribeiro

Segundo ele, Thiago deu um mata leão em Mário e após isso ocorreram os disparos. Ele disse ainda que alguns disparos também atingiram geladeira e outros locais do ambiente e que Mário saiu da conveniência atrás de Thiago com a pistola.

Outra testemunha, Gilson Vasconcelos Tibaldi de Amorim Silva, afirmou que ao menos dez tiros foram disparados por Mário Wilson. Conforme ele, os disparos foram disparados em menos de 10 segundos. A mesma informação foi dita por Walfredo.

Momentos antes da discussão e briga que terminou com a morte do PM Thiago Ruiz em 26 de abril de 2023. - Foto: Reprodução
Momentos antes da discussão e briga que terminou com a morte do PM Thiago Ruiz em 26 de abril de 2023. – Foto: Reprodução

Possível uso de substâncias

Durante a sessão, não ficou claro se o desentendimento poderia ter sido motivado ou agravado por um possível uso de substâncias, como drogas, por exemplo.

Um pacote de substância semelhante a cocaína foi encontrado no local próximo a onde o grupo estava sentado, mas não ficou claro a quem pertencia. O investigador Walfredo negou que o pacote pertencesse a ele ou a um dos presentes.

Testemunhas ouvidas no plenário informaram que o grupo não usava drogas no momento dos fatos.

Outras testemunhas ouvidas

Além de Walfredo e Gilson, pela manhã desta terça-feira (12) foram ouvidos a ex-esposa da vítima Thiago, Walkíria Filipaldi Corrêa e o delegado plantonista da DHPP à época do crime, André Eduardo Ribeiro.

Ainda devem ser ouvidos o delegado de polícia, Guilherme Bertoldi; o delegado de polícia José Ricardo e o delegado Guilherme Facinelli.

O júri começou nesta terça-feira (12) por volta das 9 horas da manhã. De acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) o julgamento deve ser concluído na quarta-feira (13).

O crime

De acordo com as investigações, na madrugada do crime, a vítima chegou à conveniência acompanhada de um amigo. Posteriormente, Mário Wilson também chegou ao local e foi apresentado ao policial militar.

Imagens de câmeras de segurança registraram os envolvidos conversando momentos antes do crime. Conforme o inquérito, em determinado instante, Thiago Ruiz teria mostrado a arma que portava na cintura. Na sequência, o investigador civil se apoderou do revólver e efetuou os disparos.

O policial militar Thiago Ruiz, vítima de homicídio. - Foto: Reprodução
O policial militar Thiago Ruiz, vítima de homicídio. – Foto: Reprodução

O policial militar morreu no local.

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