Campo Grande voltou, nesta terça-feira (12), a ser alvo de operação que investiga esquema de corrupção dentro da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep). E durante o cumprimento dos mandados, R$ 429 mil em dinheiro na casa dos alvos. Foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão, em Campo Grande.
Conforme divulgado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, durante o cumprimento das ordens judiciais de busca e apreensão, foram encontrados valores altos em dinheiro vivo, totalizando pelo menos R$ 429 mil. Só no endereço de um servidor, havia R$ 186 mil em espécie. No imóvel de outro alvo, havia R$ 233 mil, também em notas de Real.
A investigação constatou a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas em Campo Grande, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos.
As evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais.
Levantamento indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada arrecadou contratos e aditivos que somam o montante de R$ 113.702.491,02.
O cumprimento dos mandados decorre de decisão judicial proferida no bojo de procedimento que apura crimes contra a administração pública e outros delitos correlatos.
A investigação é do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) em conjunto com o Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS e a 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Campo Grande.
Cascalho de Areia
Essa não é a primeira vez que a secretaria municipal é alvo de investigação em contratos de tapa-buracos. Deflagrada em junho de 2023, a operação Cascalho de Areia revelou um esquema de fraude na concorrência em licitações para o serviço na capital
Relembre os supostos envolvidos:
- André Luiz dos Santos – proprietário das empreiteiras ALS dos Santos e ALS Transportes;
- Mamed Dib Rahim;
- Edcarlos Jesus da Silva – sócio nas empresas MS Brasil Comércio Eireli e Engenex Construções;
- Paulo Henrique Silva Maciel – advogado e sócio na Engenex;
- Ariel Dittmar Raghiant – engenheiro da Engenex;
- Patrícia da Silva Leite – funcionária da Engenex;
- Adair Paulino Fernandes – dono da empresa JR Comércio e Serviços;
- Medhi Talayeh – engenheiro da Sisep;
- Edivaldo Aquino Pereira – servidor da Sisep;
- Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula – servidor da Sisep;
- Fernando de Souza Oliveira – servidor licenciado da Sisep;
- Rudi Fiorese – ex-secretário da Sisep;
Empresas:
- Al dos Santos e Cia;
- ALS Transportes;
- Engenex Construções e Serviços;
- JR Comércio e Serviços;
- MS Brasil Comércio e Serviços;
Na época do esquema, Rudi Fiorese era secretário da Sisep e foi um dos alvos da investigação. Mehdi Talayeh e Edivaldo Aquino também estavam envolvidos no esquema.