Prestes a completar 10 anos da tragédia que matou jogadores, comissão técnica, jornalistas e tripulantes da Chapecoense, no dia 28 de novembro de 2016, o ex-goleiro Jakson Follmann, um dos sobreviventes, relembra o episódio com dor, mas também com uma mensagem de esperança.
Ao podcast Põe da Conta, o ex-goleiro afirma que o que aconteceu não deve ser tratado apenas como acidente. “É uma situação difícil. Eu nem falo acidente, foi crime. Porque ele poderia ter sido evitado”, afirmou.
Follmann estava no avião que levava a delegação da Chapecoense para a final da Copa Sul-Americana, na Colômbia. A queda deixou 71 mortos e seis sobreviventes. Entre as marcas deixadas pela tragédia, o ex-goleiro carrega sequelas físicas e emocionais que, segundo ele, farão parte de sua vida para sempre.
“Se perderam muitas pessoas boas, pessoas jovens, do dia para a noite. É sempre muito difícil, porque é uma cicatriz que eu vou carregar para o resto da minha vida”, disse.
Após o resgate, Follmann precisou amputar parte da perna direita. Ele também convive com limitações no tornozelo esquerdo, que ficou com cerca de 20% dos movimentos, além de um parafuso na região da cervical, consequência da fratura mais grave sofrida na época.
“Hoje eu tenho limitações. Tenho minha prótese, minha perna amputada, meu tornozelo esquerdo com 20% dos movimentos, tenho um parafuso na C1 e na C2. Vou ter essas sequelas até a eternidade”, contou.
Apesar da dor de revisitar a tragédia, Follmann afirma que tenta transformar a própria história em uma mensagem de reconstrução. Para ele, falar sobre o que viveu também é uma forma de mostrar que é possível encontrar sentido e esperança depois de uma grande dificuldade.
“Eu procuro trazer dessa situação um ponto de esperança, passar uma coisa positiva para as pessoas. O mundo hoje está tão difícil, as pessoas estão se matando por bobagem, tem muitas doenças, a própria depressão, que é uma doença muito forte. A gente poder trazer um pouquinho de esperança para as pessoas é importante”, afirmou.
O ex-goleiro destacou que a vida muda rapidamente e que os momentos difíceis, assim como os bons, também passam. Às vésperas de completar uma década da tragédia, ele diz que aprendeu a viver com mais intensidade o presente.
“As coisas passam muito rápido. Momento bom passa, momento de dificuldade passa, a vida é passageira. Estamos falando aqui de 10 anos. Então, eu sou um cara muito intenso no hoje, no agora”, disse.
Mesmo reconhecendo que relembrar o episódio ainda é doloroso, Follmann afirma que a tragédia passou a fazer parte de sua trajetória. Segundo ele, a exposição pública veio não pela carreira como jogador, mas pelo acidente que mudou sua vida.
“Eu não fui um jogador conhecido. As pessoas não me conheceram como jogador, me conheceram pelo acidente. É uma cicatriz que eu carrego e faz parte da minha história. A gente procura levar esperança para as pessoas”, concluiu.