FS inicia projeto inédito em Lucas do Rio Verde para produzir primeiro etanol carbono negativo da América Latina

A gigante FS, produtora de etanol de milho, deve iniciar no dia 31 de agosto uma operação histórica em sua planta de Lucas do Rio Verde. A empresa começará a injeção de cerca de 420 mil toneladas de CO2 por ano no subsolo, marcando a estreia do primeiro sistema de BECCS (Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono) em escala industrial da América Latina.

O projeto coloca o município no centro da tecnologia sustentável global, permitindo a produção de etanol “carbono negativo”. Isso significa que, ao considerar todo o ciclo — desde o plantio do milho até o uso do combustível —, a operação retira mais carbono da atmosfera do que emite.

Como funciona o armazenamento geológico

O sistema prevê a desidratação e compressão do dióxido de carbono antes da injeção a aproximadamente 1.100 metros de profundidade. O armazenamento ocorrerá diretamente abaixo da planta industrial, aproveitando as características geológicas favoráveis da Bacia do Parecis.

De acordo com Daniel Lopes, vice-presidente executivo de sustentabilidade da FS, a escolha de injetar o gás no próprio local da fábrica elimina a necessidade de dutos de transporte, o que reduz drasticamente os custos logísticos e de licenciamento, tornando o projeto viável economicamente em Mato Grosso.

Investimento de R$ 550 milhões

A implementação desta tecnologia recebeu um investimento estimado de R$ 550 milhões, contando com o apoio financeiro da Finep e do Fundo Clima, administrado pelo BNDES. Além do ganho ambiental, o projeto fortalece a posição da empresa no mercado de créditos de carbono, onde as negociações já atingiram o patamar de US$ 150 por tonelada.

Expansão para Sorriso e Campo Novo

O sucesso da operação em Lucas do Rio Verde deve servir de modelo para outras unidades da FS. A companhia já avalia a expansão do sistema de captura para as plantas de Sorriso e Campo Novo do Parecis, dependendo da evolução do mercado internacional de créditos e da consolidação da viabilidade técnica nestas regiões.

A produção de combustível carbono negativo coloca Lucas do Rio Verde na vitrine mundial da nova economia verde. Você acredita que investimentos como este podem atrair outras indústrias de alta tecnologia para a nossa região ou Mato Grosso continuará sendo visto apenas como um produtor de matéria-prima? Deixe sua opinião nos comentários.

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