As lavouras de algodão no norte de Mato Grosso seguem em desenvolvimento e a expectativa entre produtores é de uma safra com produtividade superior à registrada no ciclo anterior. Em fazendas de Ipiranga do Norte (MT) e Lucas do Rio Verde (MT), a cultura chegou à fase reprodutiva, com pegamento e enchimento das maçãs, etapa considerada decisiva para a formação da pluma.
Em uma propriedade localizada em Ipiranga do Norte, foram plantados mais de 3,4 mil hectares de algodão. As plantas estão com quase 100 dias de desenvolvimento e chegaram à fase de enchimento das maçãs dentro de uma janela considerada favorável pelos produtores.
Segundo o responsável pela área, Fernando Pereira Souza, o plantio foi encerrado no dia 26 de janeiro, dentro do período ideal. Com as chuvas registradas até agora, a lavoura apresenta bom desempenho e pode alcançar uma produtividade acima da safra passada.
“Essa fazenda aqui nós fechamos na janela perfeita. Fechamos o plantio dia 26 de janeiro, então foi ideal. Esse algodão está em F15, em pleno pegamento de maçã no ponteiro e enchimento de maçã também. Até o momento, o desenvolvimento está muito bom, está chovendo bem. Acredito que, de agora para frente, se der mais uma ou duas chuvas, fecha muito bem e tem uma boa colheita. Do jeito que está vindo o clima nessa fazenda, estou estimando mais ou menos 320 arrobas acima, sem caroço. Em pluma, deve dar 128 arrobas”, afirma.
A projeção representa um avanço em relação ao ciclo anterior. A expectativa é de que a produtividade fique entre 10% e 15% acima do resultado registrado na última safra.
Lavoura surpreende em Lucas do Rio Verde
Em outra propriedade, localizada em Lucas do Rio Verde, foram plantados 3,7 mil hectares de algodão nesta safra. Por lá, o plantio começou em 6 de janeiro e terminou em 4 de fevereiro, também com avaliação positiva sobre a janela de plantio.
Mesmo com um intervalo provocado por corte de chuva em parte da área, o desenvolvimento da lavoura é considerado satisfatório. A expectativa agora é que novas chuvas em maio ajudem a completar o enchimento das maçãs.
“Essa fazenda foi quase perfeita. Plantou todo esse lado onde o algodão está mais velho, e do outro lado da estrada tem algodão mais novo. Teve um intervalo por corte de chuva, mas logo depois iniciou o plantio lá. Nessa parte aqui, começou no dia 6 de janeiro e terminou no dia 4 de fevereiro do outro lado da estrada. O desenvolvimento está muito bom, está surpreendente, porque tivemos dois dias de chuva agora e não faltou chuva até agora. A gente espera que venha uma chuva no mês de maio para acabar de completar o enchimento das maçãs”, relata o produtor Orcival Guimarães.
Na unidade, a expectativa de produtividade varia entre 340 e 345 arrobas de algodão, com estimativa de 141 a 145 arrobas de pluma. O resultado, se confirmado, será superior ao do ano passado, quando a fazenda registrou 326 arrobas, sendo 131 de pluma.
Segundo o produtor, o clima tem sido um dos principais fatores para a melhora na projeção da safra. Apesar disso, o mercado ainda exige cautela, principalmente por causa do consumo mundial de fibra natural, que segue sem crescimento expressivo nos últimos anos.
Custos e mercado ainda desafiam produtores

Mesmo com boas expectativas no campo, o cenário econômico segue pressionando o produtor rural. No caso do algodão, a cultura exige alto investimento em fertilizantes, defensivos, combustível e manejo, o que torna as margens mais apertadas.
Em relação à comercialização, parte da safra já foi vendida antecipadamente. De acordo com Orsival, entre 60% e 70% da produção atual já está negociada. No mesmo período do ano passado, o percentual variava entre 50% e 70%.
“O mercado é como os outros. Faz muitos anos que não aumenta o consumo de algodão no mundo, da fibra de algodão. Isso é um problema; a gente precisava avançar mais no consumo de fibras naturais. O preço de venda no ano passado foi em torno de 24 e poucos dólares e, este ano, está na faixa de 25 dólares. Estamos com essa safra em torno de 60% a 70% já vendida. A gente não deixa para vender em cima da colheita; vem vendendo todo dia, porque tem que comprar todo dia e pagar os boletos todos os dias. Também tem que cuidar do fluxo financeiro”, explica Orcival.
Além do mercado, os custos de produção também pesam. Segundo o produtor, a guerra no cenário internacional agravou um quadro que já era considerado difícil para a cultura.
Ele afirma que, mesmo antes dos conflitos, as margens já eram apertadas. Com a alta de insumos como fertilizantes, inseticidas, diesel, ureia, sulfato de amônia, fósforo e enxofre, o desafio ficou ainda maior para quem produz algodão em Mato Grosso.
Apesar das dificuldades fora da porteira, a expectativa no campo é positiva. Com lavouras bem desenvolvidas e necessidade de mais algumas chuvas para fechar o ciclo, os produtores esperam uma colheita melhor e produtividade acima da safra anterior.