Uma pesquisa da Embrapa Agrobiologia identificou a estruvita como uma alternativa nacional aos fertilizantes fosfatados importados, usados principalmente na produção de soja e trigo. O material produzido a partir de resíduos da suinocultura, já apresentou bons resultados em lavouras, mantendo a produtividade das culturas.
A estruvita é formada a partir do reaproveitamento de nutrientes presentes nos dejetos de suínos. Em vez de serem descartados no ambiente, esses resíduos passam por um processo que transforma o fósforo em um fertilizante que pode ser utilizado no campo.
A pesquisa mostra que essa alternativa consegue substituir parte do fertilizante tradicional sem prejuízo à produção.

Nos testes com soja, por exemplo, a estruvita conseguiu suprir até metade da necessidade de fósforo da cultura, mantendo produtividade semelhante à média nacional. Isso indica que o produto tem potencial para ser adotado pelos produtores como complemento ou alternativa ao fertilizante convencional.
Benefícios ambientais e econômicos
Segundo o coordenador do estudo, Caio de Teves Inácio, a estruvita também apresenta vantagem por liberar o nutriente de forma gradual no solo, favorecendo o aproveitamento pelas plantas, especialmente em solos tropicais, onde o fósforo aplicado costuma ser rapidamente perdido ou inutilizado.
A pesquisa também revela benefícios ambientais, ao transformar resíduos da suinocultura em fertilizante, a tecnologia reduz o risco de poluição do solo e da água e ajuda a resolver um problema comum em regiões com criação intensiva de suínos.

Outro ponto relevante é o potencial econômico. A produção do fertilizante a base de dejetos de suínos pode gerar uma nova fonte de renda para produtores rurais, que passam a transformar resíduos em um produto com valor comercial.
“Trata-se, também, de uma alternativa economicamente viável e especialmente atrativa para médios e grandes criadores de suínos”, explicou Inácio.
Estimativas da Embrapa indicam que a adoção da tecnologia em propriedades com mais de 5 mil suínos pode gerar cerca de 340 mil toneladas de estruvita por ano no país.
Independência de fosfatos importados
A descoberta pode auxiliar na redução da dependência brasileira por fósforo adquiridos no exterior. Cerca de 75% do fertilizante utilizado no país é importado, o que torna a agricultura vulnerável a variações de preço e problemas no mercado internacional.

De acordo com Inácio, a pesquisa com a estruvita não é apenas a busca por um fertilizante alternativo, mas um caminho para a soberania alimentar e para um modelo de desenvolvimento agropecuário mais autônomo e sustentável.
“Nossa alta dependência de fertilizantes importados é uma fragilidade estratégica para a segurança alimentar do Brasil”, observou o especialista.
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