Senador teria recebido mesada de Vorcaro e usado cargo a favor do Banco Master; diz PF

O presidente do Partido Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), teria recebido pagamentos mensais frequentes do Banco Master e, em troca, usado o cargo de influência política para beneficiar o banco e seu dono, o banqueiro Daniel Vorcaro, principal investigado da Operação Complicance Zero.

Ciro está entre os alvos da nova fase da operação, deflagrada na manhã desta quinta-feira (7) pela Polícia Federal nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.

Senador Ciro Nogueira teria recebido mesada e usado cargo parlamentar a favor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. – Foto: Reprodução

Segundo a PF, o senador Ciro Nogueira teria ” instrumentalizado o mandato para apresentar emendas redigidas pelo próprio banco”.

Diante disso, o Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão assinada pelo ministro André Mendonça, determinou suspensão de empresas e monitoramento de envolvidos no caso nesta quinta-feira, durante a 5ª fase da operação que investiga o esquema de fraudes no banco.

Trecho de documento da Operação Compliance Zero relata conversas entre Felipe e Daniel Vorcaro — Foto: Reprodução
Trecho de documento da Operação Compliance Zero relata conversas entre Felipe e Daniel Vorcaro — Foto: Reprodução

As provas da ligação entre o senador e o banqueiro teriam surgido a partir de conversas interceptadas entre Vorcaro e seu primo e operador financeiro, Felipe Vorcaro – preso preventivamente pela PF na manhã desta quinta.

Conforme a PF, as mensagens detalham o funcionamento da chamada “parceria BRGD/CNLF”, na qual a empresa BRGD S.A. (da família Vorcaro) enviava recursos para a CNLF Empreendimentos (veículo patrimonial do senador).

Em janeiro deste ano, Felipe Vorcaro relatou dificuldades em manter o fluxo devido ao “aumento dos pagamentos” ao “parceiro brgd”.

Meses depois, em junho de 2025, Daniel Vorcaro cobrou o operador pelo atraso de dois meses nos repasses a “ciro”. Em resposta, Felipe questionou: “Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”, evidenciando que o valor mensal do repasse havia aumentado.

Emendas a favor do Banco Master

A condição para os pagamentos milionários feitos ao senador era a instrumentalização do mandado parlamentar.

O caso envolveria a emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024. A proposta visava elevar o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.

Como aponta a investigação, o texto da emenda foi elaborado pela própria assessoria do Banco Master e entregue em um envelope na casa do senador. Após a apresentação, Daniel Vorcaro vangloriou-se de que a proposta “saiu exatamente como mandei”, enquanto interlocutores do banco previam que a medida “sextuplicaria” os negócios da instituição.

Além dos repasses mensais, Ciro Nogueira teria recebido vantagens por meio de operações societárias fraudulentas.

A empresa CNLF, administrada formalmente pelo irmão do senador, Raimundo Neto (também alvo da PF nesta quinta-feira) adquiriu 30% da Green Investimentos S.A. pelo valor de R$ 1 milhão.

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