Após a execução do vice-cacique Givaldo Santos, de 40 anos, liderança Guarani Kaiowá da Reserva Indígena Taquaperi, na sexta-feira (1º), o Ministério dos Povos Indígenas enviou uma equipe especializada para ouvir familiares e testemunhas.
A ação tem como objetivo subsidiar medidas emergenciais de segurança para a comunidade, onde vivem cerca de 3,8 mil indígenas.
A força-tarefa é composta por técnicos do ministério e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas, com apoio da Força Nacional de Segurança Pública, e realiza escuta qualificada no território.
Givaldo foi assassinado na noite de sexta-feira (1º), na região entre os municípios de Coronel Sapucaia e Amambai.
Segundo relatos da comunidade, dois homens armados, em uma motocicleta, abordaram a vítima enquanto ele aguardava o irmão em um ponto conhecido como “Chapeuzinho”, às margens da rodovia MS-289, que corta a reserva.
Conforme apuração, o vice-cacique foi atingido por três disparos, dois no abdômen e um na cabeça, e morreu no local.
Ao chegarem à reserva, as equipes encontraram um protesto do povo Guarani Kaiowá, que bloqueava a rodovia em cobrança por justiça e pelo fim dos assassinatos de lideranças indígenas. Em 2024, outros dois vice-caciques, Samuel Kaiowá e Lúcio Kaiowá, também foram mortos.
Entre as reivindicações da comunidade estão a adoção de medidas de segurança viária, como instalação de iluminação pública ao longo da rodovia, construção de passarela para travessia, implantação de câmeras de monitoramento e radares de controle de velocidade. A via foi liberada após a chegada das equipes federais.
Representantes da Aty Guasu, que reúne cerca de 60 mil indígenas e integra a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, afirmam que Givaldo cobrava avanços nas investigações da Polícia Civil sobre um atropelamento recente que matou dois indígenas na mesma rodovia.
A comunidade também relata que o vice-cacique havia apreendido drogas dentro da reserva nos últimos dias.
Diante da sequência de ocorrências, lideranças indígenas manifestam insatisfação com a atuação das autoridades locais e cobram respostas mais rápidas diante dos conflitos na região.