O governo do estado decidiu exonerar a servidora responsável pela denúncia contra o então secretário-adjunto de Cerimonial e Eventos, Leomido de Arruda Maciel Junior, conhecido como “Junior Cuiabano”. Além dela, outras três servidoras envolvidas na denúncia também foram desligadas dos cargos da secretaria, como consta na edição extra do Diário Oficial do Estado desta quarta-feira (29).
Segundo nota do governo, as exonerações fazem parte de um processo de “reestruturação de setores”, com o objetivo de redimensionar o quadro de funcionários e conter gastos. Nesse contexto, a secretaria-adjunta de Eventos deixou de ser vinculada à Casa Civil e passou a integrar a Secretaria de Estado de Comunicação (Secom).
Na reestruturação, dos 15 servidores da então secretaria-adjunta que foram desligados, 10 foram renomeados como servidores da Secom, na mesma data da exoneração. As únicas que não foram reconduzidas são a vítima, as três servidoras envolvidas na denúncia contra Junior e o então secretário.
Após a saída de Junior Cuiabano, nenhum nome foi sondado para ocupar o cargo de secretário-adjunto. Segundo informações apuradas pelo Primeira Página, a função seguirá vaga.
Relembro o caso
O caso teve início após denúncia de uma servidora do cerimonial, que procurou o plantão da Delegacia da Mulher de Cuiabá para denunciar o suposto assédio. O boletim de ocorrência foi registrado no dia 28 de fevereiro deste ano, mas o fato ocorreu no dia 6 de dezembro do ano passado, durante um evento.
Segundo a vítima, naquela data, teria sido abordada por Leomido, dizendo que tinha interesse e sentimentos por ela e que poderia oferecer ajuda referente a valores financeiros das “gordurinhas de contratos”. Além disso, cita que era observada por ele constantemente em eventos em que trabalhava e que recebia mensagens dele via WhatsApp citando que “sentia falta da amizade” entre ambos.

Em outro momento, a vítima relata que em uma viagem a trabalho ele chegou a colocar um fone de ouvido em sua bolsa, dizendo que seria um presente. Contudo, ela devolveu.
Após isso, relata que passou a não ser mais chamada para eventos, sendo excluída das agendas oficiais. Ela ainda menciona que soube por outros servidores que Leomido disse que iria demiti-la por ser “teimosa e birrenta”.
Ex-secretário nega
Ouvido na delegacia, Leomido declarou em depoimento que ele e a servidora tinham contato estritamente profissional e nega ter cometido qualquer ato de assédio sexual contra a mulher.
Ele também negou ter praticado qualquer ato na intenção de prejudicá-la no trabalho e que ela somente não foi escalada em outros eventos pois não houve necessidade. Ele ainda declarou estar ciente de que a servidora possui medida protetiva contra ele.
Leomido foi indiciado pela Polícia Civil suspeito de importunação sexual no âmbito da violência de gênero contra uma servidora. O inquérito policial foi concluído e remetido ao Poder Judiciário, no último dia 10 de abril.
Leia a nota do governo do estado sobre a reestruturação:
“O Governo de Mato Grosso está reorganizando a estrutura interna de Secretarias Adjuntas da Casa Civil, no Palácio Paiaguás. As mudanças têm o objetivo de otimizar a máquina pública, garantindo a manutenção dos serviços.
No processo de reestruturação, estão previstas a redução de cargos de cerimonial e gabinete militar. Outra adequação será a mudança da Secretaria Adjunta de Cerimonial para a Secretaria de Estado de Comunicação (Secom).”
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