Um estudo em escala nacional confirmou que o uso de gramíneas tropicais de raízes profundas, como a braquiária, eleva a produtividade da soja e melhora a saúde do solo. A pesquisa, liderada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), considerou diferentes espécies forrageiras, sistemas de manejo, cultivares de soja e condições de solo e clima, com efeitos positivos em todas as situações avaliadas.
Os resultados mostram que as gramíneas tropicais de raízes profundas, especialmente do gênero Urochloa, aumentam em média 15% a produtividade da soja. O ganho corresponde a um acréscimo médio de 515 quilos por hectare e a uma receita adicional de US$ 198 por hectare.
No caso das braquiárias, o custo de implantação é considerado baixo. São utilizados de 3 a 10 quilos de sementes por hectare, com preço médio de US$ 3 por quilo, resultando em um investimento entre US$ 9 e US$ 30 por hectare.
Os indicadores de saúde do solo também apresentaram aumentos expressivos nas áreas cultivadas com braquiária. Destacam-se a elevação da atividade de enzimas ligadas aos ciclos do enxofre, do carbono e do fósforo.
“De modo geral, as enzimas do solo responderam de forma mais intensa ao uso dessas gramíneas, com aumento médio de 31%, quase três vezes superior ao observado para o carbono orgânico. Isso reforça o potencial das enzimas como indicadores sensíveis das mudanças na saúde do solo”, explicou a pesquisadora da Embrapa Cerrados, Ieda Mendes.

Os dados da pesquisa foram obtidos por meio de uma meta-análise de 55 estudos publicados até fevereiro de 2026, com ensaios de campo realizados em 33 localidades do país.
A análise foi conduzida por pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF), em parceria com a Embrapa Solos (RJ), o Instituto Federal Catarinense (IFC) e a Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR).
Confira mais informações sobre a pesquisa aqui.
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