Membros do Ministério da Saúde chegaram em Cuiabá nesta quinta-feira (23) e deram início a uma vistoria na estrutura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), em meio às mudanças no modelo de atendimento no estado.
A comitiva visitou o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) para avaliar a estrutura, os veículos e as condições de funcionamento do sistema responsável pelo atendimento pré-hospitalar. Os levantamentos devem subsidiar um relatório que será elaborado pelo Ministério.
A equipe é composta pelo coordenador-geral de Urgência do Ministério da Saúde, Felipe Reque, pela enfermeira da Coordenação-Geral de Urgência (CGURG), Nicole Braz, e pelo coordenador-geral do Sistema Nacional de Auditoria, Justiniano Neto.
A vistoria ocorre após denúncias apresentadas pelo Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde do Estado de Mato Grosso (Sisma-MT) e pela Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso (Fessp-MT), que também acompanharam a visita. As entidades questionam as mudanças no serviço e as demissões de profissionais.
O caso ganhou repercussão nas últimas semanas após o Governo de Mato Grosso anunciar a integração do Samu ao Corpo de Bombeiros. A proposta faz parte de uma reorganização administrativa que, segundo o Estado, busca ampliar a cobertura e reduzir o tempo de resposta nos atendimentos.
De acordo com o governo, o novo modelo já apresenta resultados, com a ampliação das equipes, que passaram de 12 para 25 na região, além de melhora no tempo de resposta.
Por outro lado, servidores do Samu criticam a mudança. Profissionais relatam insegurança quanto ao futuro do serviço e apontam risco de perda de qualidade no atendimento, caso haja redução de equipes.

O tema foi debatido nesta semana durante audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Um dos principais pontos levantados foi a possibilidade de demissão de trabalhadores, já que muitos contratos são temporários e podem não ser renovados.
No fim de março, profissionais desligados realizaram um protesto na região central de Cuiabá, reivindicando a revisão das demissões e denunciando impactos no atendimento à população.
Segundo o Sisma, 56 profissionais foram demitidos, o equivalente a cerca de 30% do quadro. Entre os desligados estão 10 condutores, 22 enfermeiros e 24 técnicos de enfermagem que atuavam diretamente no atendimento.
O secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, afirmou anteriormente que a gestão não pretende repor os profissionais demitidos.
Procurada, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) informou, por meio de nota, que acompanha a vistoria do Ministério da Saúde nas unidades do Samu da Baixada Cuiabana e que tem fornecido todas as informações necessárias “de forma a dar transparência ao processo”.
-
Ministério da Saúde entra no debate sobre futuro do Samu após risco de demissões em MT
-
Integração entre Samu e Bombeiros reduz tempo de espera para 17 minutos
-
Pivetta anuncia integração de Samu e Corpo de Bombeiros em MT
-
‘Não precisamos’: secretário descarta reposição de demitidos do Samu
-
Profissionais demitidos do Samu protestam no Centro de Cuiabá
-
Saúde demite 56 trabalhadores do Samu e ALMT convoca secretário para explicar cortes