Nesta semana, o jornalista Edevaldo Nascimento estreia à frente do podcast Agro de Primeira com uma entrevista especial com Alexandre Guimarães, superintendente do programa Novilho Precoce de Mato Grosso do Sul. A conversa traz uma análise aprofundada sobre o ciclo pecuário, destacando os movimentos de alta e baixa do setor. (assista ao episódio completo no Youtube acima ou clique no link abaixo para ver ou ouvir o podcast no Spotify)
Entre os temas abordados estão as formas de avaliar as variações na cotação do boi gordo, os diferenciais entre mercados, as bonificações destinadas a animais precoces e as particularidades que tornam cada mercado pecuário único, seja no âmbito interno ou externo.
A alta recente nos preços do boi gordo não é um acaso. Ela reflete a lógica básica do mercado — a relação entre oferta e demanda — e marca o início de um novo ciclo pecuário no Brasil. De acordo com Guimarães, esse momento exige atenção, planejamento e profissionalização dos produtores, apesar do mercado do boi seguir as mesmas regras de qualquer outro setor.
Nos últimos anos, o setor enfrentou o chamado “fundo do poço” do ciclo, marcado pelo recorde no abate de fêmeas. Em 2025, cerca de 52% dos animais abatidos foram matrizes, o que reduziu o rebanho e, consequentemente, a oferta de bois. Com menos animais disponíveis em 2026, os preços começaram a reagir.
Animais precoce têm mercado mais amplo e rentável no novo ciclo pecuário. (Foto: Reprodução – Semadesc)
A expectativa é que esse movimento de alta se mantenha até 2027 e 2028, quando o aumento do rebanho pode provocar nova pressão de queda. Por isso, Alexandre reforça que entender o ciclo não é suficiente: é preciso se antecipar.
“Se o produtor não se mantém informado para poder acertar esses times de compra, ele fica de fora. Mesmo que seja todo mundo que busca informação, nem todo mundo tá preparado para comprar no momento certo, ou tem o recurso para comprar os animais naquele momento”, explicou.
Estratégia no novo ciclo pecuário
Para o superintendente da Novilho Precoce de Mato Grosso do Sul, o grande diferencial neste novo momento da pecuária está na qualidade da produção e na capacidade de direcionar corretamente o produto ao mercado certo.
“Produtores de novilho precoce conseguem aproveitar melhor os períodos de valorização, pois acessam bonificações pagas por frigoríficos e mercados específicos”, relatou Guimarães.
Segundo ele, Mato Grosso do Sul se destaca nesse cenário por produzir animais jovens, bem-acabados e dentro de protocolos exigidos por mercados nacionais e internacionais, como o Boi China, a Cota Hilton – cota europeia de carne premium – e programas de carne Angus.
Bonificações do Angus crescem e mudam a estratégia no campo. (Foto: Reprodução)
Cada mercado busca um perfil diferente de animal, e quem entende essa lógica consegue agregar valor à produção. “Não basta produzir bem. É preciso saber para onde vender”, afirmou Alexandre durante a entrevista.
Ele destaca que produzir carne de qualidade exige mais investimento em genética, nutrição, sanidade e manejo. O custo aumenta, mas o retorno também. Um animal que antes levava quatro ou cinco anos para ser abatido hoje pode chegar ao frigorífico com 14 a 24 meses, melhorando o giro e a eficiência do sistema.
Agregando valores
Além do ganho econômico, a intensificação traz benefícios ambientais, sociais e econômicos. Produzir mais em menos tempo reduz o impacto ambiental por quilo de carne, movimenta a economia local, gera empregos e amplia a arrecadação durante o novo ciclo pecuário.
Alexandre alerta, no entanto, que a profissionalização é indispensável em todo o processo produtivo. Para ele, o produtor que não planeja, não controla custos e não busca informação tende a ficar fora do mercado.
“Ou você intensifica e aumenta a produção para diluir o seu custo ou você tá fora. Então, não tem segredo, a intensificação dela é necessária para o produtor melhorar as margens para ter menos impacto. Pro governo é bom que gira mais a economia, gira mais impostos e pras empresas de insumos também é melhor porque eu exijo mais genética, nutrição, manejo. Então tudo que a gente intensifica e faz a roda da economia girar é benéfico”, afirmou.
Podcast Agro de Primeira expõe como o pordutor pode se preparar para a virada de mercado. (Foto: Thauana Luares)
A entrevista reforça que o novo ciclo pecuário traz oportunidades reais, mas apenas para quem está preparado para lidar com um mercado cada vez mais técnico, competitivo e exigente. Antecipação, organização e qualidade são os caminhos para transformar os desafios do ciclo em resultados sustentáveis no campo.
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