A Polícia Civil aguarda o resultado laudos periciais que vão preencher as lacunas da investigação sobre o assassinato do agente fiscal tributário Roberto Carlos Mazini, de 61 anos, pelo ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal. O crime ocorreu no dia 24 de março, na residência comprada por Mazini em leilão, localizada na Rua Antônio Maria Coelho, e que pertencia a Bernal. O ex-prefeito se entregou à polícia após o crime e está preso desde então.
A Polícia Civil concluiu, de forma parcial, o inquérito que apura o envolvimento do ex-prefeito de Campo Grande. Entretanto, conforme o delegado Danilo Mansur, responsável pelo caso, ainda restam elementos para esclarecer as circunstâncias do homicídio, que serão respondidos pelos laudos da perícia. Quando concluídos, os resultados serão incluídos em um relatório complementar do caso.
Segundo o delegado, a perícia será capaz de determinar:
- A distância em que foi realizado o segundo disparo;
- Qual a conduta do autor ao se aproximar da vítima e entrar no “ponto cego” não captado pela câmera de monitoramento;
- Se o segundo disparo foi feito imediatamente após o primeiro ou se o autor se aproximou da vítima, se abaixou e, a curta distância, efetuou o último tiro;
- Além disso, a trajetória do projétil.
A arma do crime, um revólver calibre 38, já foi apreendida. O registro do revólver está vencido desde 2018, assim como o porte de defesa pessoal de Alcides Bernal, que só era válido até 2019.
Entenda o caso
A escritura lavrada em 19 de fevereiro deste ano, no Cartório do Segundo Ofício, comprova a propriedade do imóvel adquirido pelo agente tributário, tendo como vendedor a Caixa e como comprador Roberto Carlos Mazini. O valor descrito da casa no documento é de R$ 2.413.545,64.
Câmeras de segurança flagraram a movimentação na casa no dia do crime.
Assista abaixo.
Mazini e um chaveiro foram até a residência para tomar posse do imóvel. Em seguida, e após ser avisado pela empresa de monitoramento, Alcides Bernal foi até a casa. Ao chegar no endereço ele desceu do carro com um revólver na mão, entrou na garagem, deu sete passos e atirou.
Em depoimento à polícia, o chaveiro disse: “Roberto não teve tempo de responder, nem explicar o que estava fazendo na casa, pois o autor já efetuou um disparo em direção à vítima, que caiu ao solo do lado do depoente.”
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Em seu depoimento, Bernal deu uma versão diferente. Ele afirmou que agiu “em legítima defesa” após a vítima avançar nele. Foi a mesma versão que o ex-prefeito disse ao Primeira Página antes de ser preso.
No entanto, as imagens analisadas indicam uma dinâmica diferente da apresentada pela defesa. A gravação também mostra um chaveiro deixando a residência com as mãos levantadas, fugindo em direção à rua logo após os disparos.
Após os disparos, Bernal foi à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário Centro e, de lá, encaminhado à Depac Cepol, responsável por registrar flagrantes, e desde então está preso.