Foi realizada nesta quinta-feira (19), em Campo Grande (MS), a 3ª etapa do circuito Indicador do Boi Datagro na Estrada. Durante o evento, foram debatidas questões relacionadas ao cenário econômico, travamento de custo, cotação no mercado futuro, além das perspectivas para a pecuária em 2026. O encontro contou com a presença de instituições financeiras, empresas do agronegócio, sindicatos e pecuaristas.
Em entrevista ao Portal Primeira Página, o diretor de Assuntos Estratégicos da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Júlio Ramos, avaliou o atual cenário geopolítico, especialmente diante dos conflitos no Oriente Médio. Segundo ele, os impactos vão além dos produtos exportados pelo Brasil e atingem toda a cadeia produtiva.
“Nessa atual situação de guerra ali na região do Oriente Médio, não só impacta os produtos que nós exportamos, mas também aquilo que pode reverberar durante a guerra, seja no preço do combustível, nas aves, no frango que vai muito para essa região e que não indo para essa região ele acaba desovando dentro do mercado interno. Isso pode ter um impacto, dentro do setor”, explicou Ramos.
De acordo com ele, 2026 deve ser um ano desafiador devido ao atual cenário geopolítico, exigindo resiliência do produtor rural.
“É um ano que ninguém tava contando com essa guerra que vai impactar e já está impactando no nosso dia a dia, nós temos que ser resilientes. O agricultor e pecuarista, ele é resiliente e quando a gente trabalha unido, o setor privado também aprendeu a trabalhar com o setor público, quando a gente faz essa união, a gente consegue, sem dúvida nenhuma, chegar num caminho mais tranquilo”, concluiu o diretor.

O Head de Pecuária na Datagro, João Otávio de Assis Figueiredo, também conversou com a equipe do Portal Primeira Página, e afirmou que a guerra já tem afetado os preço no Brasil e que caso se estenda deve encarecer ainda mais a cadeia produtiva.
“Está tudo muito mais caro, preço nas alturas. É difícil acompanhar quando vai terminar a guerra, mas se ela se estender é preocupante, porque a cadeia de combustível e energia como um todo, vai encarecer toda a nossa cadeia produtiva. Então é bom ter atenção, a gente tá preocupado e discutindo muito isso no dia de hoje aqui”, apontou Figueiredo.

Outro destaque do encontro foi um workshop introdutório sobre o funcionamento do mercado futuro para a pecuária, ferramenta ainda pouco utilizada por parte dos produtores.
“A gente traz a aula introdutória para incentivar e despertar o interesse, para que as pessoas comecem a usar mais a ferramenta de Red e Put disponível no mercado. É preciso abrir a visão do produtor quanto ao travamento de preço por meio da bolsa futura.”, explicou o Head de Pecuária na Datagro.
O evento, organizado pela Datagro, teve como objetivo estimular o networking, a troca de experiências e ampliar a transparência sobre o mercado pecuário entre os agentes da cadeia.
Em entrevista ao podcast Agro de Primeira MS desta semana, o presidente da Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso do Sul (Nelore MS), Paulo Matos, falou sobre como a entidade vem trabalhando para divulgar a necessidade do produtor se familiarizar com o mercado futuro para lidar de forma tranquila com as mudanças.
Veja abaixo.