Doação de medula óssea mobiliza voluntários em Mato Grosso e pode salvar vidas

Tornar-se doador voluntário de medula óssea pode ser mais simples do que muita gente imagina. O Brasil está entre os três países com maior número de doadores cadastrados no mundo e Mato Grosso também faz parte dessa rede de solidariedade.

Entre os exemplos está a servidora pública Kauana Dutra, que entrou para o registro de doadores em 2024. No ano passado, ela recebeu uma ligação que jamais esqueceu: em algum lugar havia um paciente precisando de transplante e ela era compatível. Sem hesitar, decidiu seguir até o fim do processo.

Doação de medula óssea mobiliza voluntários em Mato Grosso e pode salvar vidas.-Foto: Hospital do Amor

“Quando recebi a ligação, eu falei que iria até o fim. Eles perguntam por que o receptor está esperando e já começam o tratamento. Então a gente pensa que pode ser uma criança começando a vida agora, ou pais que querem ver os filhos crescerem. Foi um momento muito emocionante”, relembra.

Kauana guarda com carinho a foto do dia da doação e o certificado que recebeu após o procedimento, lembranças de um gesto que pode representar uma nova chance de vida para outra pessoa.

Atualmente, o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) conta com quase 6 milhões de brasileiros cadastrados, colocando o país entre os três com maior número de voluntários no mundo. Em Mato Grosso, já são cerca de 74 mil pessoas registradas, e apenas no último ano mais de mil novos doadores entraram para o banco nacional.

Cada novo cadastro aumenta as chances de pacientes encontrarem um doador compatível, já que a compatibilidade genética é rara.

A hematologista Suely Santos Araújo explica que o transplante de medula óssea é indicado quando o organismo do paciente não consegue produzir adequadamente as células responsáveis pela defesa do corpo.

Segundo ela, a medula de um doador saudável passa a substituir a que não está funcionando corretamente.

“Quando o organismo deixa de produzir aquilo que precisa, a medula do doador passa a produzir no receptor o que está em falta. É como um enxerto de planta: ela começa a crescer naquele tecido e a funcionar normalmente”, explica.

O processo para se tornar doador também é simples. De acordo com a enfermeira do Hemocentro, Edirlene Giane Antunes de Sá, o interessado precisa comparecer à unidade, preencher um formulário e realizar a coleta de uma pequena amostra de sangue. Os dados genéticos passam então a integrar o banco nacional.

Quando um paciente precisa de transplante, as informações são cruzadas com o banco de dados do Redome. Caso haja compatibilidade, o doador é chamado para novos exames e, se tudo estiver correto, é convocado para a doação.

Um dos principais mitos sobre o procedimento ainda afasta possíveis voluntários: a ideia de que a medula é retirada da coluna. Na realidade, a doação pode acontecer de duas formas — por meio da coleta no osso do quadril, em ambiente hospitalar e com anestesia, ou pela corrente sanguínea, através de uma veia do braço ou femoral.

Em muitos casos, o transplante de medula óssea é a única alternativa de tratamento para doenças graves do sangue. Por isso, cada novo doador cadastrado representa mais uma chance de vida para quem aguarda na fila.

Quem deseja se cadastrar pode procurar o MT Hemocentro, localizado na Rua 13 de Junho, nº 1055, no Centro de Cuiabá, ou realizar o agendamento prévio pela internet para fazer o cadastro.

  1. Policial militar de MT busca doador compatível de medula óssea

  2. MS altera prazo para doação de sangue de quem usa remédios para emagrecer

  3. Prefeitura intensifica vacinação em 23 unidades de saúde contra febre amarela

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia