A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (10), a segunda fase da Operação Anomalia, que investiga a relação entre integrantes de organizações criminosas e agentes públicos no Rio de Janeiro. Nesta etapa, três policiais civis — incluindo um delegado — foram presos suspeitos de extorquir traficantes ligados à facção criminosa Comando Vermelho (CV).
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre os alvos desta fase estão:
- Franklin José de Oliveira Alves, policial civil, preso nesta terça;
- Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, apontado como traficante e que já estava preso;
- Leandro Moutinho de Deus, policial civil, preso nesta terça;
- Marcus Henrique de Oliveira Alves, delegado da Polícia Civil, preso nesta terça.
De acordo com a PF, os servidores utilizavam o cargo público para pressionar lideranças do tráfico e exigir pagamentos ilegais. Segundo os investigadores, eles emitiam intimações com o objetivo de intimidar integrantes da facção e cobrar propina em troca da omissão em ações policiais.
Ainda conforme a corporação, as cobranças eram feitas de forma direta e com prazos estabelecidos. Para receber o dinheiro sem contato direto com os criminosos, os policiais contavam com intermediários que atuavam na negociação e no repasse dos valores.
Além das prisões e das buscas, o STF determinou o afastamento imediato dos agentes públicos de suas funções. A decisão também inclui a suspensão das atividades empresariais de empresas supostamente utilizadas no esquema e o bloqueio de valores em contas bancárias e criptoativos ligados aos investigados.
A PF afirma que análises de inteligência financeira apontaram movimentações milionárias incompatíveis com os salários dos servidores investigados. Para ocultar os recursos de origem ilegal, o grupo teria usado empresas de fachada registradas em nome de familiares.
Os investigados podem responder por organização criminosa, extorsão, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
Primeira fase da operação
A primeira etapa da Operação Anomalia ocorreu na segunda-feira (9) e resultou na prisão de três pessoas: o delegado da própria PF Fabrizio Romano, o ex-secretário estadual de Esportes do Rio Alessandro Pitombeira Carracena e a advogada Patrícia Falcão. Um quarto alvo, servidor público, é considerado foragido.

Patrícia é advogada de Gerel Lusiano Palm, preso pela Polícia Federal na Barra da Tijuca em julho de 2021. Natural de Curaçao, ele havia sido condenado na Holanda a 20 anos de prisão por tentativa de homicídio e porte ilegal de arma.
O nome de Lusiano consta na lista de Difusão Vermelha da Interpol, que reúne criminosos procurados internacionalmente.
Segundo a investigação, há suspeita de que Fabrizio Romano e Carracena tenham recebido cerca de R$ 150 mil pagos por Patrícia para interferir e dificultar o processo de extradição de Lusiano.
As defesas dos citados disseram que ainda não tiveram acesso ao processo.
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