Em Mato Grosso, o perigo da violência doméstica bate à porta das mulheres ainda na juventude. Um diagnóstico inédito elaborado pelo Instituto DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência revelou uma realidade alarmante: 40% das vítimas de agressão familiar no estado sofreram o primeiro episódio de violência antes dos 19 anos.
A amostra, que ouviu 810 moradoras em diversas regiões mato-grossenses, aponta que quase um terço do público feminino (31%) já enfrentou algum tipo de abuso físico ou psicológico provocado por homens.
Além disso, 14% das entrevistadas declararam ter sido vítimas de agressões recentes, ocorridas nos últimos 12 meses.
Estrutura dos abusos: da agressão psicológica ao controle patrimonial
O estudo demonstrou que as marcas da violência vão muito além da agressão física visível, manifestando-se de forma combinada no ambiente familiar:
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Abuso psicológico (88%): Tipo de violência mais relatado, caracterizado por ameaças, humilhações e controle constante.
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Agressão física (84%): Lesões e ataques corporais diretos sofridos pelas vítimas.
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Violência moral (70%): Crimes de calúnia, injúria e difamação dentro do convívio.
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Violência patrimonial (40%): Retenção de dinheiro, destruição de objetos pessoais ou documentos.
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Violência sexual (25%): Relações forçadas ou abusos contra a vontade da mulher.
Maridos e companheiros lideram estatística de agressores
A pesquisa confirma que o risco reside, majoritariamente, dentro de casa. Em 59% dos casos mapeados, o autor dos ataques era o próprio marido ou companheiro da vítima. Ex-parceiros correspondem a 15% das ocorrências, enquanto pais ou padrastos respondem por 10%.
A motivação mais citada para o pico de gravidade das agressões envolve o ciúme excessivo e a rejeição ao fim do relacionamento.
Barreira da denúncia: silêncio e busca por socorro informal
O levantamento lança luz sobre um desafio central para as políticas públicas de segurança em Mato Grosso: a subnotificação. Apenas 32% das agredidas recorrem a delegacias ou órgãos policiais para registrar o crime imediatamente após a ocorrência.
Antes de acionar as forças de segurança, as mulheres mato-grossenses buscam amparo em redes comunitárias e afetivas:
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Rede familiar: 57% das vítimas buscam apoio com parentes.
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Apoio religioso: 53% procuram orientação em igrejas.
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Rede de amizades: 52% desabafam com amigos próximos.
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Atendimento em saúde e psicologia: Entre 34% e 41% buscam serviços de saúde pública.
O cenário reforça a urgência de fortalecer os canais de acolhimento e proteção às jovens desde o ambiente escolar, permitindo identificar os primeiros sinais de relacionamento abusivo antes que o ciclo de violência se consolide.
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